Senador diz que Jair Bolsonaro está bem, questiona exigência do STF e afirma que pai deu aval à proposta no Senado.
A visita de um filho ao pai preso carregou mais do que afeto nesta terça-feira (16). Carregou recados políticos, críticas diretas ao Supremo Tribunal Federal e a expectativa de uma decisão que pode mudar o rumo de condenações ligadas aos atos golpistas. Após deixar a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e questionou a determinação do ministro Alexandre de Moraes para a realização de uma nova perícia médica antes de autorizar uma cirurgia de hérnia.
Segundo o senador, apesar das recomendações médicas, Bolsonaro apresenta bom estado de saúde e ânimo. Flávio afirmou que encontrou o pai bem-humorado, sem crises de soluço e com mais disposição do que nos últimos dias, minimizando a gravidade do quadro apontado pelos exames.
Críticas à exigência de nova perícia
Flávio Bolsonaro criticou a decisão de Moraes de submeter o ex-presidente a uma nova avaliação pericial, mesmo após exames de ultrassonografia indicarem a necessidade de cirurgia para retirada de hérnias inguinais.
“Ele aguenta o tranco de mais um tempo aqui, até que essa situação toda se reverta e a Justiça seja restabelecida em nosso país”, afirmou o senador, em tom de confiança e enfrentamento. Para aliados, a exigência de nova perícia é vista como excesso de rigor diante de um quadro médico já diagnosticado.
Dosimetria no centro do debate
O senador também comentou sobre o projeto que trata da dosimetria das penas, tema que ganhou força nos bastidores do Congresso. Flávio disse esperar que a proposta seja votada ainda em 2025 e afirmou que Jair Bolsonaro deu aval ao texto que está em discussão no Senado.
Ao mesmo tempo, criticou a forma como o projeto foi apresentado aos parlamentares. Segundo ele, o texto chegou em cima da hora, o que teria dificultado a apresentação de emendas e prejudicado o debate mais aprofundado. Flávio afirmou que há articulações para ajustes no conteúdo, com o objetivo de impedir que criminosos considerados perigosos sejam beneficiados de forma indireta.
Articulações no Senado e cenário político
Flávio disse que pretende tratar do tema com o líder do PL no Senado, Rogério Marinho, que participou das negociações com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e com o próprio Jair Bolsonaro. O senador reforçou que o assunto exige cautela e responsabilidade política.
Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro reafirmou que mantém o plano de disputar as eleições de 2026, mesmo sem o apoio dos partidos do chamado centrão. Nos bastidores, no entanto, a resistência ao seu nome ainda é significativa.
Segundo apuração da Jovem Pan, líderes de siglas como PP, União Brasil, Republicanos e PSD se reuniram na noite de segunda-feira (15) para discutir o cenário político. Entre interlocutores, a preferência ainda recai sobre nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou Ratinho Júnior. A definição, porém, deve ficar apenas para o fim de janeiro.
Prisão e tensão institucional
Jair Bolsonaro está preso desde 22 de novembro na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O caso segue mobilizando aliados, familiares e parte do Congresso, ampliando a tensão entre o Judiciário e setores da direita.
Entre visitas, diagnósticos médicos e disputas políticas, o episódio revela um país ainda profundamente dividido. Mais do que uma discussão sobre saúde ou projetos de lei, o embate expõe feridas abertas na democracia brasileira e reforça como decisões jurídicas seguem impactando, de forma direta, o jogo político e emocional de uma nação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













