Home / Politica / Haddad deve deixar a Fazenda em 2026 para atuar na campanha de Lula

Haddad deve deixar a Fazenda em 2026 para atuar na campanha de Lula

Ministro resiste a disputar eleições e prefere trabalhar nos bastidores da agenda econômica da reeleição presidencial.

O ano eleitoral começa a se desenhar nos bastidores do governo, e decisões estratégicas já ganham contornos claros. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o comando da pasta no início de 2026 para se dedicar integralmente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A movimentação, embora ainda não oficializada, é tratada como praticamente certa entre aliados e reforça o peso que a economia terá na disputa presidencial.

Segundo apuração do jornalista André Anelli, da Jovem Pan, a saída de Haddad deve ocorrer até fevereiro de 2026. O nome mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda é o do atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, visto como alguém capaz de garantir continuidade à política econômica do governo.

Pressão do PT e a recusa em disputar cargos

Apesar da forte pressão interna do PT para que Haddad dispute um cargo eletivo em 2026, o ministro tem resistido às investidas. A avaliação dele é de que pode contribuir mais sendo um articulador estratégico do que um candidato nas urnas, especialmente na construção e na defesa da agenda econômica de Lula durante a campanha.

Em um primeiro momento, o partido chegou a cogitar o nome de Haddad para disputar o governo de São Paulo contra o atual governador, Tarcísio de Freitas. Em seguida, passou a defender uma candidatura ao Senado pelo estado. Ambas as opções tinham como objetivo fortalecer o palanque de Lula em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

São Paulo no centro da estratégia eleitoral

A preocupação do PT com São Paulo não é casual. No pleito de 2022, Lula foi derrotado no estado pelo então presidente Jair Bolsonaro, resultado que ainda ecoa nas estratégias do partido para 2026. Ter um nome forte na disputa local é visto como fundamental para ampliar o alcance da campanha presidencial e reduzir resistências em um eleitorado historicamente mais conservador.

Mesmo assim, Haddad mantém a posição de não concorrer. Ex-prefeito da capital paulista e ex-candidato à Presidência em 2018, ele avalia que sua experiência e seu capital político podem ser mais bem utilizados na retaguarda, ajudando a formular propostas, responder a críticas e dar sustentação técnica ao discurso econômico do governo.

Transição e sinais públicos

Nesta semana, Haddad se reúne com jornalistas no Ministério da Fazenda durante um café informal. A expectativa é de que ele seja questionado sobre seu futuro político e, possivelmente, sobre a saída da pasta. Embora evite antecipar decisões, o encontro é visto como uma oportunidade para sinalizar os próximos passos.

Mais do que uma troca de cargos, a possível saída de Haddad da Fazenda simboliza a transição do governo para o modo campanha. Em um cenário de disputas acirradas e memória recente de crises econômicas, Lula parece apostar em quem conhece os números, os argumentos e os bastidores para sustentar, com discurso e estratégia, o projeto de continuar no comando do país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *