Levantamento AtlasIntel/Bloomberg mostra que nenhum dos 17 nomes testados consegue maioria de imagem positiva; Tarcísio aparece como o menos rejeitado.
Em um país politicamente exausto, onde a confiança virou um bem escasso, os números ajudam a traduzir um sentimento que já circula nas ruas e nas redes sociais. A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg revela um retrato duro da política nacional: os principais líderes do Brasil acumulam mais rejeição do que aprovação, um sinal claro do distanciamento entre a população e quem ocupa posições de poder.
Divulgado nesta quinta-feira (18), o levantamento avaliou a imagem de 17 nomes do cenário político brasileiro e concluiu que todos apresentam saldo negativo, ou seja, a diferença entre avaliação negativa e positiva pesa contra. Ainda assim, os dados mostram nuances importantes sobre quem sofre mais desgaste e quem consegue, mesmo em cenário adverso, equilibrar melhor sua imagem pública.
Tarcísio lidera entre os menos rejeitados
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece como o político com melhor desempenho entre os avaliados. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados dizem ter uma imagem negativa do governador, enquanto 47% afirmam ter percepção positiva. A diferença mínima coloca Tarcísio como o nome mais equilibrado do levantamento, ainda que também esteja no campo negativo.
O resultado reforça a leitura de que o governador paulista mantém certo capital político nacional, especialmente entre eleitores que buscam alternativas fora da polarização mais intensa.
Lula volta a ter imagem mais negativa que positiva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também aparece com saldo negativo. De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados têm uma imagem negativa do presidente, contra 46% que avaliam sua imagem de forma positiva. A inversão chama atenção porque, em outubro, o cenário era o oposto, quando a avaliação positiva superava a negativa.
O dado indica um desgaste recente da imagem presidencial e sinaliza desafios crescentes para o Palácio do Planalto na relação com a opinião pública.
Flávio Bolsonaro enfrenta alta rejeição
Entre os nomes testados, o senador Flávio Bolsonaro apresenta um dos piores desempenhos. Apenas 37% dos entrevistados disseram ter uma imagem positiva do parlamentar, enquanto 57% declararam percepção negativa. O resultado reflete o impacto do sobrenome Bolsonaro e das controvérsias políticas que seguem associadas à família no debate nacional.
Metodologia da pesquisa
O levantamento AtlasIntel/Bloomberg ouviu 18.154 pessoas entre os dias 10 e 15 de dezembro, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Um alerta que vai além dos números
Mais do que um ranking de popularidade, a pesquisa expõe um recado claro da sociedade brasileira: a crise de confiança na política segue profunda. Quando nenhum dos principais líderes consegue superar a rejeição, o dado não fala apenas sobre indivíduos, mas sobre um sistema que precisa se reconectar com as pessoas. Em tempos de descrença e cansaço, os números não gritam vitória para ninguém, apenas lembram que ouvir, reconstruir pontes e recuperar credibilidade talvez seja o maior desafio da política hoje.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













