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Operação mira facção que avançava no controle territorial da capital

Grupo criminoso exercia influência sobre áreas onde vivem mais de 81 mil pessoas e mantinha estrutura organizada de comando, comunicação e punições.

O avanço silencioso de uma facção criminosa sobre bairros inteiros da capital acendeu um alerta nas forças de segurança e resultou, na manhã desta quinta-feira (18), em uma ofensiva direta do Estado. Por trás de ruas aparentemente comuns, havia um esquema estruturado de poder paralelo, violência e medo, agora colocado no centro de uma grande operação integrada.

A ação foi deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) e recebeu o nome de Operação Abscício. O objetivo é desarticular células da organização criminosa envolvidas em crimes como tráfico de drogas, porte ilegal de armas de fogo e a aplicação de sanções corporais por meio do chamado “tribunal do crime”. As investigações apontam que o grupo exercia controle territorial sobre regiões habitadas por mais de 81 mil pessoas.

Estrutura de comando e poder paralelo

Ao longo das apurações, a FICCO/RO identificou integrantes responsáveis pela coordenação de células territoriais espalhadas por diferentes bairros, além de conselheiros que compunham a cúpula decisória da facção. Também foi mapeada a atuação de um porta-voz, figura-chave encarregada de intermediar a comunicação entre a liderança estadual e os núcleos locais.

Esse núcleo estratégico tinha papel central na engrenagem criminosa. Cabia a ele a nomeação de lideranças, a articulação para a comercialização de armas e a coordenação direta das atividades ilícitas desenvolvidas nas áreas sob influência do grupo.

Mandados, sigilos quebrados e força-tarefa

A ofensiva foi autorizada pela 1ª Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de Rondônia, que expediu 13 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de autorizar o afastamento de sigilos. A operação contou com apoio do GAECO/NUFAC do Ministério Público de Rondônia, da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Polícia Penal Federal, por meio da SENAPPEN.

A atuação conjunta reforça a estratégia de enfrentamento ao crime organizado com inteligência, integração e presença efetiva do Estado em áreas antes dominadas pelo medo.

No fim, a operação vai além do cumprimento de mandados. Ela representa uma tentativa concreta de devolver à população o direito básico de viver sem a imposição de regras criminosas, sem julgamentos paralelos e sem a sensação de abandono. É um passo firme na reconstrução da segurança e da confiança onde o crime tentou se impor como autoridade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Rondoniagora

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