Diretório Nacional vai à Justiça contra Felicio Ramuth, que chamou o PT de “narcoafetivo” ao comentar crise na Venezuela.
Em um cenário político já tensionado e às vésperas de um ano eleitoral sensível, palavras ganharam peso de afronta institucional. Uma declaração feita pelo governador em exercício de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), acendeu o estopim de uma reação dura do Partido dos Trabalhadores, que decidiu levar o caso à Justiça para conter o que classifica como ataque direto e irresponsável.
O Diretório Nacional do PT anunciou que irá processar Ramuth após ele ter se referido ao partido como um “partido narcoafetivo”. A ação judicial será assinada pela direção nacional da sigla, que avalia que o episódio ultrapassa o campo do embate político e entra na esfera da desinformação e da ofensa institucional.
Declaração ocorreu ao falar da Venezuela
A fala de Felicio Ramuth ocorreu nesta segunda-feira (5), durante uma agenda em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Questionado por jornalistas sobre a crise na Venezuela e um possível novo fluxo migratório de venezuelanos em direção ao Brasil, o governador em exercício fez a associação direta com o PT.
“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente na fronteira, a retornar ao seu país, onde ele vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado ‘narcoafetivo’, como nosso PT, que temos aqui no nosso país”, afirmou.
Reação do PT e estratégia jurídica
Nos bastidores, a cúpula petista avalia que a judicialização do caso é necessária para frear a disseminação de narrativas falsas e ofensivas, sobretudo em um contexto pré-eleitoral. Para dirigentes do partido, permitir que declarações desse tipo circulem sem contestação judicial abriria espaço para a normalização de ataques que corroem o debate democrático.
A avaliação interna é de que o uso de termos pejorativos e associações sem fundamento extrapola a crítica política legítima e busca apenas desgastar a imagem do partido perante a opinião pública.
Aliado nacional, adversário local
Felicio Ramuth é filiado ao PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, que integra a base aliada do governo Lula em nível nacional. Em São Paulo, no entanto, a relação entre o PSD e o PT é marcada por posições antagônicas, especialmente no campo eleitoral.
O episódio expõe mais uma vez as contradições da política brasileira, onde alianças nacionais nem sempre se refletem nos estados, e discursos locais podem tensionar acordos mais amplos.
Ao optar pelo caminho judicial, o PT sinaliza que não pretende tratar o episódio como retórica passageira. Em um ambiente político cada vez mais polarizado, a legenda aposta na Justiça como instrumento para impor limites ao discurso e reafirmar que o embate democrático não pode ser construído à base de rótulos, ataques e desinformação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: João Valério/Governo do Estado de SP













