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Após prisão de Maduro, entenda como ficou a estrutura de poder na Venezuela

Reorganização expõe disputas internas, pressão dos Estados Unidos e o peso decisivo de militares e milícias no futuro do país.

A prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos não abalou apenas o Palácio de Miraflores. O episódio desencadeou uma onda de incertezas que atravessa a política venezuelana, reacende tensões históricas e coloca o país diante de um dos momentos mais delicados de sua história recente. Em meio a pressões externas e disputas internas, a pergunta que ecoa dentro e fora da Venezuela é simples e profunda: quem, de fato, detém o poder agora?

Com a saída forçada de Maduro, a então vice-presidente Delcy Rodríguez foi empossada oficialmente como presidente interina pela Assembleia Nacional. A mudança, embora prevista institucionalmente, ocorre sob um ambiente de instabilidade, vigilância internacional e desconfiança interna. Em análise no Live CNN, o editor de Internacional Diego Pavão detalha como se redesenha o organograma do poder chavista em meio ao novo cenário.

Delcy Rodríguez no comando em meio à pressão internacional

Ao contrário de Maduro, que chegou ao poder vindo das bases sindicais e do transporte público, Delcy Rodríguez construiu sua trajetória na diplomacia e no direito internacional. Com perfil técnico e discurso firme, ela tenta sustentar os pilares do chavismo enquanto busca uma relação funcional com os Estados Unidos, hoje protagonistas diretos da crise venezuelana.

Mesmo com a retórica de soberania e continuidade do projeto bolivariano, o desafio de Delcy é equilibrar lealdade ideológica e pragmatismo político. A pressão externa é intensa, e qualquer passo em falso pode aprofundar o isolamento ou provocar fissuras ainda maiores dentro do próprio regime.

Jorge Rodríguez e o jogo político nos bastidores

Um dos nomes centrais dessa nova configuração é Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e atual presidente da Assembleia Nacional. Embora esteja abaixo da presidente interina na hierarquia formal, Jorge exerce influência decisiva nos bastidores. Considerado um dos principais estrategistas do chavismo, ele mantém canais de diálogo com os Estados Unidos, algo visto por aliados e críticos como uma possível ponte para negociações futuras.

Sua posição o coloca como peça-chave em um tabuleiro político cada vez mais complexo, no qual articulação e sobrevivência caminham lado a lado.

Sanções, ordens de prisão e a linha vermelha de Washington

A reorganização do poder também evidencia diferenças importantes no status jurídico dos principais líderes chavistas perante os Estados Unidos. Delcy e Jorge Rodríguez são alvos de sanções, mas não figuram como procurados pela Justiça americana. Já Diosdado Cabello, ministro do Interior, e Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, enfrentam ordens de prisão com recompensas milionárias, sob acusações ligadas ao narcotráfico.

Essas distinções não são meramente simbólicas. Elas influenciam diretamente o grau de pressão, a margem de negociação e o papel que cada um pode exercer neste novo capítulo da política venezuelana.

Militares e milícias na base real do poder

Na base da pirâmide de poder estão os militares regulares e os milicianos paramilitares, cuja lealdade é considerada vital para a estabilidade do regime. Enquanto soldados enfrentam salários baixos, dificuldades estruturais e até problemas de alimentação, as milícias recebem maior apoio e prestígio, funcionando como um braço ideológico e operacional do chavismo.

Diosdado Cabello concentra o controle da inteligência e da segurança interna, mantendo uma postura rígida e pouco aberta ao diálogo. Já Vladimir Padrino López, à frente da Defesa, representa um poder mais pragmático, com domínio sobre o arsenal militar e influência direta sobre o futuro imediato do país.

No fim das contas, a Venezuela vive um momento em que cargos oficiais e poder real nem sempre caminham juntos. A prisão de Maduro abriu uma nova fase marcada por incertezas, disputas silenciosas e decisões que podem redefinir não apenas o governo, mas o destino de milhões de venezuelanos que acompanham, com apreensão, os próximos movimentos dessa complexa engrenagem de poder.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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