Presidente busca reduzir pressão sobre Banco Central e STF diante do avanço da crise e de seus efeitos políticos.
Nos bastidores do poder, onde as decisões não ganham manchetes imediatas, mas moldam o rumo das instituições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu um sinal de alerta. A crise em torno do Banco Master passou a preocupar o chefe do Executivo não apenas pelo aspecto econômico, mas, sobretudo, pelo risco de abalar a credibilidade das instituições e gerar efeitos políticos difíceis de conter.
Lula tem chamado a atenção de ministros e aliados para os impactos institucionais da escalada do caso, especialmente após críticas públicas à condução do processo no Supremo Tribunal Federal e a entrada do Tribunal de Contas da União com sinais de possível reversão da liquidação extrajudicial do banco.
Preocupação com a imagem do STF e reflexos no Executivo
A auxiliares próximos, o presidente demonstrou incômodo com o que classifica como um ambiente propício à erosão da confiança no Supremo. O temor é que uma crise de credibilidade no Judiciário acabe respingando no próprio Executivo, criando um efeito dominó em um momento politicamente sensível.
No campo político, a avaliação é de que, em ano eleitoral, o desgaste da imagem do STF pode ser explorado pela oposição como instrumento para fragilizar o governo. A relação entre Executivo e Judiciário, frequentemente apontada por adversários como excessivamente alinhada, também é admitida por integrantes da base governista como um flanco vulnerável.
Conversas reservadas e alerta a aliados
Esse alerta tem sido reiterado por Lula em conversas reservadas com ministros e aliados mais próximos. O presidente manteve, inclusive, contatos diretos com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mesmo durante o período de férias, entre dezembro e janeiro, para tratar do tema.
À CNN, Haddad afirmou que, mesmo em recesso, acompanha diariamente a repercussão do caso Banco Master. Segundo apuração da emissora, o ministro demonstrou perplexidade diante de ataques direcionados ao Banco Central, especialmente em um contexto que envolve autonomia técnica e estabilidade institucional.
TCU no centro das inquietações
O andamento do caso no Tribunal de Contas da União também tem causado consternação no Palácio do Planalto. Para Lula e aliados, há uma percepção de que a atuação do TCU carrega um viés mais político do que técnico, o que amplia a tensão em torno do episódio.
Integrantes do governo avaliam que a inspeção do TCU sobre o Banco Central, que deverá ser paralisada temporariamente, coloca em xeque a autonomia da autoridade monetária. O receio é que isso provoque insegurança jurídica, agrave a crise de confiança no mercado e fragilize ainda mais a imagem das instituições.
No pano de fundo, o que preocupa o presidente não é apenas o desfecho de um caso específico, mas o efeito cumulativo de disputas públicas sobre a solidez do sistema institucional. Em tempos de polarização e desconfiança, Lula tenta conter danos antes que a crise financeira se transforme, de vez, em uma crise de confiança; daquelas que não atingem apenas governos, mas deixam marcas profundas na democracia.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













