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Venezuela liberta americanos presos e sinaliza distensão com os EUA após queda de Maduro

Governo interino fala em gesto de pacificação; Washington classifica libertações como “passo importante”, mas cobra avanço mais amplo.

A libertação de cidadãos americanos presos na Venezuela trouxe um raro momento de alívio em meio a anos de tensão, dor e incertezas. Para famílias que aguardavam respostas e para a comunidade internacional, o gesto carrega um peso simbólico que vai além dos números: representa a possibilidade, ainda frágil, de uma mudança de rumo após a queda de Nicolás Maduro.

O governo interino venezuelano libertou ao menos quatro americanos que estavam detidos no país, segundo informou à CNN uma fonte familiarizada com o assunto. Trata-se da primeira libertação conhecida de cidadãos dos Estados Unidos desde a destituição de Maduro e ocorre no contexto de uma liberação gradual de presos políticos promovida pela administração interina liderada por Delcy Rodríguez.

Reação imediata de Washington

O governo dos Estados Unidos reagiu de forma cautelosamente positiva. Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington “recebe com satisfação a libertação de americanos detidos na Venezuela” e classificou a medida como “um passo importante na direção certa” por parte das autoridades interinas.

Nos últimos meses, a CNN havia informado que pelo menos cinco cidadãos americanos estavam presos em território venezuelano. Durante o regime de Maduro, a detenção de estrangeiros, especialmente americanos, era frequentemente utilizada como instrumento de pressão política nas relações com os EUA.

Pressão internacional e exigências dos EUA

A libertação ocorre em meio à pressão direta do governo Donald Trump, que tem exigido a soltura de todos os presos políticos na Venezuela. A administração americana sustenta ter influência econômica e militar suficiente para forçar o governo interino a cooperar com essas demandas.

A notícia foi divulgada inicialmente pela Bloomberg. A CNN procurou o Departamento de Estado para mais comentários e também entrou em contato com o governo venezuelano, que não se manifestou até o momento.

Libertações ainda avançam em ritmo lento

Na semana passada, o governo interino começou a libertar presos considerados de alto perfil, incluindo políticos da oposição. As autoridades venezuelanas classificaram o movimento como um gesto “para buscar a paz” e reduzir a tensão interna.

Apesar disso, o avanço tem sido bem mais lento do que o esperado. Segundo a organização de direitos humanos Foro Penal, dos mais de 800 indivíduos considerados presos arbitrariamente por razões políticas, apenas 56 haviam sido libertados até a noite de segunda-feira. Centenas de famílias seguem aguardando, entre esperança e angústia, a libertação de seus parentes.

Trump comemora e cobra continuidade

No domingo, o presidente Donald Trump afirmou que a Venezuela havia “iniciado o processo, de forma GRANDE, de libertar seus presos políticos”. Em publicação na Truth Social, ele agradeceu e acrescentou: “Espero que esses prisioneiros se lembrem da sorte que tiveram por os EUA terem aparecido e feito o que precisava ser feito”.

O gesto do governo interino venezuelano abre uma fresta de diálogo após anos de repressão e isolamento, mas também expõe o tamanho da ferida ainda aberta no país. Para além das declarações oficiais, o verdadeiro teste será transformar esses primeiros passos em um caminho consistente de liberdade, justiça e reconciliação; algo que milhares de famílias seguem esperando, dia após dia.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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