Troca no topo da Polícia Militar de Rondônia ocorre em meio a polêmicas e tensões políticas que marcaram os últimos meses.
Quando um nome que já simbolizou coragem e liderança deixa seu posto de comando, a sensação que fica é de que algo maior está em jogo. Nesta quarta-feira (14), o coronel Regis Wellington Braguin Silvério, até então comandante-geral da Polícia Militar de Rondônia, foi exonerado do cargo pelo governador Marcos Rocha, e o subcomandante-geral, Glauber Ilton de Souza Souto, assume a liderança da corporação. A mudança, que já vinha sendo discutida nos bastidores, reflete um momento de turbulência entre política, segurança pública e novas ambições pessoais.
Braguin, figura conhecida dentro e fora da caserna, deixa o comando após meses marcados por debates intensos na Assembleia Legislativa e repercussões que ultrapassaram os muros da instituição. Embora tenha sido reconhecido por esforços no combate à criminalidade, sua permanência no cargo vinha sendo questionada por setores políticos que apontavam condutas controversas.
Polêmicas e pressões na Assembleia
Nos últimos meses, o coronel Braguin se viu no centro de críticas no parlamento estadual após ser citado em uma audiência pública que discutia violência doméstica e uso de veículo oficial em suposta situação de embriaguez, com relatos de que teria dirigido automóvel da corporação nessas condições: acusações que ganharam espaço no debate público e foram levadas à tribuna por deputados.
Em outra frente, membros da Assembleia Legislativa chegaram a levantar questionamentos formais sobre episódios ligados a blitz da Lei Seca, em que Braguin teria se envolvido, gerando pedidos públicos de substituição no comando.
Apesar das controvérsias, aliados e opositores reconhecem que o coronel também teve papel relevante no enfrentamento à violência em Rondônia. Em diferentes operações contra facções e grupos organizados, ele destacou a importância de ações firmes para preservar a ordem pública e proteger comunidades, defendendo esforços integrados entre forças de segurança para domínio territorial e resposta a ataques criminosos.
Trajetória e legado na PM
Natural de Cascavel (PR), Braguin construiu uma carreira ascendente dentro da Polícia Militar de Rondônia desde sua entrada como soldado, em 2002, até alcançar o posto mais alto da corporação no estado, em 2023, quando foi nomeado comandante-geral. Ao longo de sua trajetória, ele buscou equilibrar uma atuação de combate à criminalidade com discursos voltados à proximidade com a tropa, valorização funcional e reforço de operações em áreas com maior incidência de crimes.
Embora sua saída tenha sido marcada por letra de debates públicos e questionamentos políticos, parte das ações conduzidas sob sua gestão foi elogiada por resultados operacionais, incluindo prisões de líderes de facções e apreensões de armamentos em operações intensivas.
Novo comando, novos desafios
Com a exoneração de Braguin, o subcomandante-geral da PM, coronel Glauber Ilton de Souza Souto, assume o posto exatamente no momento em que Rondônia se prepara para intensificar ações de segurança e enfrentar desafios crescentes no interior e na capital. A troca sinaliza também um ajuste mais amplo no governo estadual, que tem promovido mudanças em diversas áreas do primeiro escalão, à medida que o ano político se aproxima e a necessidade de alinhamento entre pautas de gestão e expectativas sociais aumenta.
Para muitas famílias que veem a Polícia Militar como a primeira linha de defesa contra o crime, e para aqueles que acompanham de perto cada movimento institucional, a saída de Braguin marca mais do que uma mudança burocrática: representa um momento de reflexão sobre o papel das forças de segurança, as relações entre poder político e comando militar, e o equilíbrio delicado entre confiança pública e responsabilidade institucional. Em um cenário onde a segurança dos cidadãos é um bem precioso e ainda frágil, a forma como esse novo capítulo será escrito poderá influenciar não apenas a gestão da PM, mas também a percepção da sociedade sobre quem realmente protege a ordem e quem a lidera.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













