Aliados indicam que governador de São Paulo prioriza a gestão e só deve dividir o palco com o senador a partir de junho.
Em meio a um ambiente político cada vez mais tensionado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem optado por cautela. A avaliação de aliados é de que ele não pretende se deixar levar pelas pressões do bolsonarismo para antecipar gestos mais contundentes em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto. O momento, dizem pessoas próximas, é de governar e de evitar movimentos que possam comprometer a estabilidade administrativa do maior estado do país.
Segundo integrantes do alto escalão paulista, Tarcísio entende que a lógica da gestão é diferente da lógica eleitoral. Enquanto Flávio está imerso na construção da própria candidatura, o governador mantém o foco nas entregas do governo estadual e na agenda administrativa. Por isso, qualquer palanque conjunto deve ficar para quando a campanha, ou a pré-campanha formal, efetivamente começar, a partir de junho.
Gestão primeiro, campanha depois
Reservadamente, aliados afirmam que Tarcísio já fez o que considera suficiente neste estágio: duas declarações públicas de apoio ao senador. Para o governador, isso atende ao gesto político esperado sem transformar o governo paulista em extensão de uma campanha nacional.
A leitura interna é clara: antecipar movimentos poderia gerar ruído desnecessário, tanto com setores do eleitorado quanto com aliados institucionais. Assim, o governador segue uma estratégia descrita por interlocutores como “jogar parado”, evitando passos que possam ser interpretados como precipitados.
Expectativa de reviravolta no cenário eleitoral
Nos bastidores, aliados de Tarcísio avaliam que o cenário pode mudar após o Carnaval. Há quem aposte em uma saída estratégica de Flávio Bolsonaro da disputa presidencial — uma retirada que não seria assumida publicamente como desistência. A hipótese ventilada é de que o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro poderia, diante de pesquisas de rejeição e intenção de voto, pedir que o filho abrisse espaço para Tarcísio entrar no jogo nacional.
Um dos sinais observados por esse grupo é a ausência, até agora, de um nome indicado para substituir Flávio na eventual disputa pela vaga ao Senado no Rio de Janeiro. Para aliados, esse vácuo alimenta especulações e mantém o tabuleiro em aberto.
Sinais, recados e testes de popularidade
Mesmo evitando o palanque formal, Tarcísio não tem deixado de se posicionar politicamente. Nesta semana, voltou a fazer críticas ao governo federal em uma publicação nas redes sociais: conteúdo que, inclusive, foi compartilhado por Michelle Bolsonaro. Pessoas próximas interpretaram o gesto como um recado duplo: ao Planalto e ao próprio bolsonarismo, além de um teste de popularidade do governador.
Na segunda-feira (11), Tarcísio recebeu no Palácio dos Bandeirantes Filipe Sabará, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. O encontro ocorreu após críticas de uma ala bolsonarista, insatisfeita com o que considera um apoio tímido do governador. Segundo relatos, Tarcísio foi direto ao afirmar que vai se empenhar “na hora certa”.
No fim das contas, a estratégia do governador paulista revela mais do que prudência: expõe a consciência de que, em política, o tempo é tão decisivo quanto o gesto. Ao segurar o palanque e priorizar a gestão, Tarcísio sinaliza que não pretende trocar resultados administrativos por aplausos antecipados, deixando claro que, quando falar como candidato, será no momento em que o país estiver, de fato, ouvindo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/Via X













