Home / Politica / Motta coloca fim da escala 6×1 no centro do debate e sinaliza prioridade na Câmara

Motta coloca fim da escala 6×1 no centro do debate e sinaliza prioridade na Câmara

Presidente da Casa diz que pauta é estratégica para trabalhadores e empresários e ganha força com reaproximação ao governo Lula.

A discussão sobre a jornada de trabalho voltou ao centro da política nacional com um peso que vai além dos números e das horas no relógio. Ao afirmar que o fim da escala 6×1 será tratado como prioridade, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acende a expectativa de milhões de brasileiros que veem no tema a chance de mais qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso.

A sinalização de Motta reforça a percepção de que o debate pode, enfim, avançar no Congresso. A fala ocorre em um momento de reaproximação política entre o presidente da Câmara e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que fortalece o ambiente para a tramitação de propostas sensíveis e de grande impacto social.

Prioridade assumida e discurso alinhado

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, Hugo Motta foi direto ao afirmar que a Câmara já havia sinalizado, ainda no fim do ano passado, a prioridade ao tema. Segundo ele, o debate sobre o fim da escala 6×1 é importante tanto para trabalhadores e trabalhadoras quanto para o empresariado brasileiro, indicando a tentativa de construir uma agenda que dialogue com diferentes setores da economia.

No Planalto, a avaliação é de que a posição do presidente da Câmara converge com a estratégia do governo. Desde o fim de 2025, Lula fechou questão a favor do fim da escala, tratando a mudança na jornada de trabalho como uma das pautas centrais de sua agenda.

Reaproximação política e bastidores do Congresso

Fontes do Congresso apontam que Hugo Motta retomou o diálogo com o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, após um período de distanciamento motivado por divergências em votações no fim do ano passado, como no caso do projeto conhecido como PL Antifacção. Aliados descrevem a relação entre Motta e Lula como uma “amizade respeitosa e institucional”.

Nos bastidores, a leitura é de ganhos mútuos. O governo avança em uma pauta com forte apelo social e eleitoral, enquanto Motta se fortalece politicamente, tanto no cenário nacional quanto em sua base na Paraíba, além de ampliar suas chances em uma eventual disputa pela reeleição à presidência da Câmara.

Articulação no Planalto e força da proposta

Nesta semana, Motta se reuniu no Palácio do Planalto com o ministro Guilherme Boulos. O encontro contou também com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Segundo interlocutores, o fim da escala 6×1 foi tratado de forma lateral, mas esteve no radar da conversa. Por determinação de Lula, Boulos tem atuado diretamente na articulação com o Congresso para viabilizar a mudança na jornada.

A pauta ganhou força inicialmente com a proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton. No Senado, uma iniciativa semelhante do senador Paulo Paim já avançou na Comissão de Constituição e Justiça. Na Câmara, tramita ainda um projeto de lei relatado pelo deputado Léo Prates, que propõe a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.

Caminhos mais rápidos para a mudança

Como já revelado pela Jovem Pan, o Planalto avalia com atenção o projeto de lei por entender que ele tem tramitação mais rápida do que uma PEC, o que aumenta as chances de avanço ainda neste ano. A estratégia reflete a urgência do tema em um cenário político marcado por eleições e pela pressão social por mudanças concretas.

No fim das contas, a discussão sobre a escala 6×1 ultrapassa o debate técnico e toca diretamente na vida cotidiana do trabalhador brasileiro. Ao ganhar prioridade na Câmara, a pauta passa a simbolizar não apenas uma possível mudança na legislação, mas também um teste de sensibilidade do Congresso diante de um país que pede mais tempo para viver, sem deixar de produzir.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *