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Entre a fidelidade e a estratégia: Marcos Rocha nega ida ao PSD, mas deixa porta entreaberta

Governador reafirma permanência no União Brasil, agradece convite de Expedito Junior e sinaliza cautela diante do calendário eleitoral.

Na política, poucas frases carregam tanto significado quanto aquelas ditas com cuidado. Ao negar, sem fechar completamente a porta, o governador Marcos Rocha expôs mais do que uma decisão partidária: revelou o peso do tempo, das alianças e das escolhas que se aproximam. Em meio às articulações eleitorais, cada palavra passou a soar como cálculo.

Em conversa com o ex-senador Expedito Junior, presidente regional do PSD, Rocha comunicou que permanece filiado ao União Brasil. Agradeceu o convite para ingressar e até liderar o PSD em Rondônia, mas foi direto ao afastar, por ora, qualquer mudança de rumo. “Não digo que dessa água nunca beberei, mas dificilmente volto atrás da minha decisão”, afirmou o governador, também negando uma eventual candidatura ao Senado neste momento.

Convite mantido e articulação nos bastidores

Apesar da negativa, o diálogo deixou claro que as pontes não foram queimadas. Expedito Junior afirmou que abriria mão da presidência estadual do partido para entregá-la a Rocha, desde que o governador apresentasse nomes fortes para compor uma nominata competitiva à Câmara dos Deputados.

Segundo o ex-senador, a proposta permanece de pé. “Para o governador, eu abro mão da presidência do partido e entrego a ele, mas ele precisa apresentar os nomes para disputar a Câmara Federal”, disse, sinalizando que o PSD ainda aposta em Rocha como peça central de seu projeto político.

Cenário do PSD e próximos movimentos

Atualmente, o PSD conta com o próprio Expedito Junior e com Joliane Furia, esposa do governadorável Adailton Furia, como pré-candidatos a deputado federal. A legenda busca fortalecer sua estrutura e ampliar presença no cenário estadual.

Na próxima quinta-feira, Expedito deve reunir prefeitos, vereadores e o futuro candidato ao governo para discutir o plano de ação do partido para os próximos meses, em um encontro que pode redefinir estratégias e alianças.

O relógio da Lei Eleitoral

Marcos Rocha, por sua vez, segue com o tempo como aliado e adversário. Restam 71 dias para que ele decida se entra ou não na disputa eleitoral, respeitando os prazos estabelecidos pela Lei Eleitoral. Até lá, o governador mantém o discurso de cautela, evitando movimentos bruscos que possam comprometer sua posição política.

No fim, a política se constrói tanto com decisões firmes quanto com silêncios estratégicos. Entre a lealdade partidária e as possibilidades futuras, Marcos Rocha caminha sobre uma linha tênue, onde cada passo é observado e cada hesitação pode ser, também, uma escolha.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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