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Lula critica Trump e diz que Trump quer governar mundo pelo Twitter

Presidente ironiza postura do líder norte-americano durante evento no Rio Grande do Sul e defende política baseada no diálogo.

Em meio a aplausos e risos da plateia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a transformar um discurso público em reflexão política e simbólica. Ao comentar o impacto das redes sociais na condução do poder global, Lula afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “quer governar o mundo pelo Twitter”, em uma crítica direta ao uso excessivo das plataformas digitais como ferramenta de comando político.

A declaração foi feita nesta terça-feira (20), durante agenda na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. No palco, Lula aproveitou o momento para reforçar um tema recorrente em seus discursos: a necessidade de recuperar o contato humano na política e reduzir a dependência dos celulares no exercício do poder.

Crítica ao uso excessivo das redes e defesa do contato humano

“No meu gabinete é proibido entrar com celular”, disse o presidente, antes de citar Trump. Para Lula, governar exige presença, escuta e respeito. “É possível eu tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês?”, questionou, arrancando aplausos do público.

A fala expôs uma visão clara de contraste entre estilos de liderança. De um lado, Lula defende o diálogo direto e a política construída no olho no olho. Do outro, critica o que considera uma condução impulsiva e midiática das decisões globais, marcada por declarações frequentes nas redes sociais que reverberam imediatamente no cenário internacional.

Convite de Trump gera cautela no Planalto

A crítica ocorre poucos dias após Trump ter convidado Lula para integrar um chamado “Conselho de Paz”, que teria como objetivo supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. O convite foi encaminhado ao presidente brasileiro por meio da embaixada do Brasil em Washington e posteriormente levado ao Itamaraty.

No entanto, o gesto diplomático foi recebido com reservas. Fontes do Palácio do Planalto relatam que a avaliação inicial é crítica, especialmente pelo formato da proposta, que concentraria excessivo poder nas mãos do presidente norte-americano, responsável por definir pautas e escolher os países integrantes do conselho.

Avaliação diplomática antes de qualquer resposta

Diante do cenário sensível no Oriente Médio, a orientação no governo brasileiro é agir com cautela. O Planalto avalia o convite internamente e também consulta outros países antes de apresentar uma resposta formal aos Estados Unidos.

A leitura no entorno de Lula é de que qualquer participação brasileira precisa preservar princípios históricos da política externa do país, como o multilateralismo, a defesa da paz e o equilíbrio nas relações internacionais.

Ao ironizar o governo feito por tweets e reafirmar o valor do diálogo, Lula não apenas criticou um estilo de liderança, mas também reforçou sua própria narrativa política: a de que, em tempos de ruído digital e decisões aceleradas, governar continua sendo, antes de tudo, um exercício de responsabilidade, escuta e humanidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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