Bolsonaristas esperavam gesto simbólico do governador paulista para reafirmar candidaturas e alinhar estratégias após prisão do ex-presidente.
Nos bastidores da política, gestos falam tão alto quanto discursos. E, neste momento delicado para o bolsonarismo, a ausência de um movimento esperado ganhou peso simbólico. O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao ex-presidente Jair Bolsonaro provocou incômodo entre aliados, que aguardavam o encontro como um sinal claro de alinhamento e definição de rumos.
Segundo apuração da analista de Política da CNN, Isabel Mega, no Live CNN, bolsonaristas avaliam que Tarcísio não demonstrou senso de urgência ao postergar a visita, que seria a primeira de um político a Bolsonaro desde que o ex-presidente passou a cumprir regime fechado. Para o grupo, o momento exigia uma demonstração pública de proximidade e lealdade.
Demarcação de papéis no campo político
Antes do adiamento ser comunicado, aliados de Bolsonaro tratavam o encontro com tranquilidade e expectativa. A avaliação era de que a visita serviria para “demarcar papéis” no cenário político nacional, em especial com foco no próximo ciclo eleitoral.
Essa demarcação incluiria, segundo os bolsonaristas, a reafirmação de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República com o aval direto do pai, além da consolidação de Tarcísio de Freitas como nome da direita à reeleição ao governo de São Paulo.
Expectativa frustrada e mudança de tom
O próprio senador Flávio Bolsonaro chegou a afirmar à CNN Brasil que a conversa seria uma oportunidade para ouvir do ex-presidente a avaliação sobre o papel de Tarcísio em sua vitória contra o PT em São Paulo. No entanto, ao longo do dia, o clima mudou.
Aliados do governador paulista passaram a relatar incômodo com a conversa mantida entre Tarcísio e Flávio no fim de semana, sinalizando divergências e ruídos internos. A leitura feita por integrantes do grupo é de que o adiamento da visita não foi apenas uma questão de agenda, mas uma decisão política calculada.
Afeto pessoal e cálculo político
Apesar das críticas, bolsonaristas fazem questão de ressaltar que Tarcísio mantém afeto e respeito pessoal por Jair Bolsonaro. Ainda assim, enxergam na postura adotada pelo governador uma hesitação estratégica, que levanta dúvidas sobre seu posicionamento no tabuleiro eleitoral de 2026.
O episódio escancara as tensões internas de um grupo que, mesmo unido pelo discurso, começa a revelar fissuras na prática. Em um cenário marcado por incertezas, a ausência de um encontro esperado acaba dizendo muito sobre o momento do bolsonarismo e sobre como o silêncio, às vezes, pode pesar tanto quanto uma declaração pública.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles













