Filme indicado ao Oscar inspira coleção inédita que reúne Náutico, Santa Cruz e Sport e revela o lado torcedor de seu elenco.
Há histórias que extrapolam a tela e encontram eco na vida real, no afeto e na identidade de um povo. “O Agente Secreto” é um desses casos. Ambientado no Recife de 1977, o longa não apenas conquistou o mundo com quase 60 prêmios e quatro indicações ao Oscar, como também mergulhou fundo na cultura popular e no futebol, paixão que atravessa o enredo, o elenco e agora ganha forma em uma coleção inédita de camisas retrô.
Nesta quinta-feira (22), o filme recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. Mas, para além das estatuetas, a obra dirigida por Kleber Mendonça Filho se firma como um retrato sensível da memória urbana, onde o futebol aparece como linguagem cotidiana, quase silenciosa, mas profundamente simbólica.
Futebol como identidade e narrativa
Na trama, há referências diretas ao Santa Cruz e menções mais sutis ao Náutico e ao Sport. Fora da ficção, essa relação é ainda mais intensa. Kleber Mendonça Filho é torcedor declarado do Náutico, enquanto Wagner Moura carrega no peito a paixão pelo Vitória, clube de sua cidade natal.
O futebol, no filme, não surge como adereço. Ele funciona como refúgio coletivo, ritual urbano e expressão de pertencimento. É no rádio, nas ruas e nas conversas que ele aparece, costurando a narrativa com a vida real do Recife da década de 1970.
Trio de Ferro unido em coleção inédita
Essa conexão inspirou uma ação rara e simbólica. Rivais históricos, Santa Cruz, Náutico e Sport se uniram em uma coleção de camisas retrô inspiradas em “O Agente Secreto”. A iniciativa, inédita, foi desenvolvida pela Chico Rei e transforma o universo do filme em peças que dialogam diretamente com a memória afetiva do futebol pernambucano.
Inspiradas nos uniformes icônicos dos anos 1970, as camisetas resgatam a estética da época e traduzem o encontro entre cinema brasileiro e identidade esportiva. A coleção conta com três modelos: O Agente Secreto e Náutico, O Agente Secreto e Santa Cruz e O Agente Secreto e Sport Recife. Cada peça incorpora elementos visuais do longa, celebrando pertencimento, cultura popular e história.
“ No filme, o futebol aparece de forma orgânica no cotidiano brasileiro, no rádio, nas ruas, nas conversas. As camisetas partem dessa mesma lógica: mostrar que torcer faz parte da vida e da nossa identidade cultural. É uma celebração do futebol como expressão do orgulho de ser brasileiro ”, afirmou Vitor Vizeu, diretor de marketing da Chico Rei, em entrevista à CNN. As peças são vendidas por R$ 244,90.
Paixão que também veste o elenco
A relação entre futebol e o filme também passa pelos seus protagonistas. Wagner Moura já foi visto diversas vezes acompanhando jogos do Vitória no Maracanã e no Barradão e recebeu homenagens do clube após vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama. Curiosamente, também foi celebrado pelo maior rival, o Bahia, em reconhecimento à conquista internacional.
Após a indicação ao Oscar, o Vitória comemorou nas redes sociais: “Que venha o Oscar”. Já Kleber Mendonça Filho mantém viva sua paixão pelo Náutico até nos bastidores. Em uma publicação nas redes do filme, ele aparece ao lado de Wagner Moura jogando futebol de botão, com o escudo do Timbu em destaque.
No fim, “O Agente Secreto” mostra que grandes obras não vivem apenas de prêmios. Elas se tornam memória, vestem paixões e aproximam rivais. Entre cinema e arquibancada, o filme prova que cultura e futebol falam a mesma língua quando o assunto é identidade brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













