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Encontro fora da agenda entre Lula e banqueiro do Master levanta questionamentos

Reunião reservada com Daniel Vorcaro ocorreu em dezembro de 2024 e ganha novos contornos após a liquidação do banco.

Em meio a um cenário de desconfiança, investigações e cobranças por transparência, uma informação revelada agora adiciona novos elementos a um enredo que segue despertando atenção em Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve, em dezembro de 2024, com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em uma reunião que não constou na agenda oficial do chefe do Executivo. O encontro, mantido longe dos holofotes, passou a ser alvo de questionamentos diante dos desdobramentos posteriores envolvendo a instituição financeira.

Além de Lula e Vorcaro, também participou da conversa Gabriel Galípolo, à época indicado para a presidência do Banco Central. A articulação do encontro teria sido feita por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda durante o governo Dilma Rousseff, segundo informações apuradas.

Liquidação do banco e investigação da PF

Meses depois, em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão veio após a frustrada tentativa de compra de parte da instituição pelo Banco de Brasília, o BRB. No mesmo período, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras atribuídas ao banco comandado por Vorcaro.

Declaração dura e silêncio oficial

O episódio ganhou ainda mais repercussão após uma declaração pública do presidente. Em evento realizado em Maceió, na sexta-feira (23), Lula afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende Daniel Vorcaro, numa fala que contrastou com a revelação do encontro reservado ocorrido meses antes.

Procurado, o Palácio do Planalto não respondeu até o momento aos questionamentos da CNN sobre o motivo de a reunião não ter sido registrada na agenda oficial do presidente.

Em tempos em que a sociedade exige coerência entre discurso e prática, encontros fora da agenda oficial deixam de ser apenas detalhes administrativos e passam a carregar peso político e simbólico. Mais do que explicar uma reunião, o episódio reacende a necessidade de transparência como valor essencial para preservar a confiança nas instituições e na condução do poder.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/ac24horas

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