Candidata governista vence no primeiro turno, promete continuidade do governo Chaves e se torna a segunda mulher a comandar o país.
A Costa Rica amanheceu nesta segunda-feira sob o signo da mudança com continuidade. Em uma eleição marcada por alta participação popular e forte debate sobre segurança, Laura Fernández foi eleita presidente e entrará para a história como a segunda mulher a governar o país, assumindo o cargo em 8 de maio. Aos 39 anos, ela chega ao poder respaldada pelo discurso de firmeza contra o crime organizado e pela promessa de dar sequência aos projetos do atual governo.
Candidata do Partido Soberano do Povo, de direita, Fernández venceu o pleito realizado no domingo (1º) ainda no primeiro turno. Com 88,43% das urnas apuradas, ela obteve 48,5% dos votos, superando Álvaro Ramos, do Partido da Libertação Nacional (PLN), que ficou com 32,12%, segundo dados preliminares do Tribunal Supremo Eleitoral.
Trajetória política e proximidade com o governo atual
Laura Fernández construiu sua carreira como assessora política e funcionária pública no Ministério do Planejamento Nacional e Política Econômica. Em 2022, foi nomeada ministra pelo atual presidente Rodrigo Chaves, cargo que a projetou nacionalmente. Cientista política, também ocupou os postos de ministra da Presidência e do Planejamento, tornando-se uma das figuras mais influentes do atual governo.
Durante a campanha, deixou claro que sua candidatura representava a continuidade do projeto iniciado por Chaves. No discurso da vitória, reafirmou esse compromisso diante de apoiadores reunidos em um hotel da capital, San José.
“O povo falou, a democracia decidiu. A Costa Rica votou pela continuidade da mudança, uma mudança que busca resgatar e aperfeiçoar as instituições e devolvê-las ao povo soberano para criar maior bem-estar e prosperidade”, afirmou.
Vitória no primeiro turno e apoio popular
A eleição foi marcada por uma participação expressiva do eleitorado. Segundo o TSE, 69,5% dos eleitores compareceram às urnas, índice bem superior aos 56,8% registrados nas eleições de 2022. O resultado deu a Fernández uma vitória direta, sem necessidade de segundo turno, algo relativamente raro e politicamente significativo no país.
Ela sucede uma tradição feminina ainda curta na política nacional. Antes dela, apenas Laura Chinchilla, presidente entre 2010 e 2014, havia comandado a Costa Rica, também eleita no primeiro turno.
Segurança pública no centro do debate
Um dos principais pilares da campanha de Laura Fernández foi a segurança pública. A candidata conquistou apoio ao adotar um discurso duro contra o tráfico de drogas e o crime organizado, temas que hoje figuram entre as maiores preocupações da população.
A Costa Rica, antes conhecida como a “Suíça da América Central”, enfrenta um aumento significativo da violência. Dados da Agência de Investigação Judicial indicam que 2025 foi o terceiro ano mais violento da história do país, com taxa de homicídios de 16,7 por 100 mil habitantes, grande parte associada ao narcotráfico e a disputas entre facções.
Fernández defende medidas polêmicas, como a suspensão temporária de direitos individuais em áreas específicas para facilitar a captura de criminosos, além do endurecimento das penas e da continuidade da construção de uma prisão de segurança máxima, inspirada em modelos internacionais, como o adotado em El Salvador.
Economia em recuperação e desafios sociais
No plano de governo, a presidente eleita destaca os avanços econômicos dos últimos anos como ponto de partida para seu mandato até 2030. Entre eles estão o crescimento econômico, a queda do desemprego e a redução da dívida pública.
De acordo com o relatório Estado da Nação 2025, a Costa Rica apresentou recuperação econômica entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, sendo apontada como o país de melhor desempenho entre os membros da OCDE. O mesmo estudo, no entanto, alerta para desafios na redistribuição de renda e para riscos à sustentabilidade de longo prazo.
Visão de futuro
Além da segurança e da economia, Fernández afirma que pretende restaurar a confiança no sistema judiciário, tornar o Estado mais eficiente e inclusivo, modernizar a educação e avançar na agenda de sustentabilidade ambiental. Segundo ela, a estratégia de segurança segue a política “Costa Rica Segura Plus 2023–2030”, definida ainda no início do governo Chaves, com foco na prevenção social e no combate integrado ao crime.
A ascensão de Laura Fernández ao poder reflete um país dividido entre o orgulho de sua estabilidade democrática e o medo imposto pela violência crescente. Ao assumir a presidência, ela carrega não apenas o peso da história, mas a expectativa de um povo que busca segurança, prosperidade e a esperança de que a Costa Rica volte a ser sinônimo de tranquilidade na América Central.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













