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Ibaneis minimiza encontros com Vorcaro e diz estar “totalmente limpo” em caso do Banco Master

Governador do DF afirma que relação com o banqueiro foi institucional, enquanto pedidos de impeachment avançam na Câmara Legislativa.

Em meio ao avanço das investigações e à pressão crescente da oposição, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tentou reduzir o peso político de encontros que hoje estão no centro de uma das crises mais sensíveis de seu mandato. Ao comentar a relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Ibaneis apostou na normalização do contato entre empresários e agentes públicos para afastar qualquer suspeita de irregularidade.

Segundo o governador, Vorcaro é um nome conhecido no meio empresarial e mantém interlocução com diferentes esferas do poder. “A gente sabe que todos esses empresários têm relacionamentos com políticos”, afirmou. Para reforçar o argumento, Ibaneis citou encontros do banqueiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificando esse tipo de relação como algo natural. “Isso não é problema”, completou.

Relato de Vorcaro ao STF

As declarações de Ibaneis ocorrem após Daniel Vorcaro relatar, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal, em dezembro, que manteve conversas institucionais com o governador sobre a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, o Banco de Brasília.

Segundo o banqueiro, os diálogos aconteceram em “algumas poucas oportunidades” e incluíram encontros tanto na residência de Ibaneis quanto em sua própria casa, em Brasília. Vorcaro também afirmou que tem amigos em todos os Poderes, mas disse não conseguir nominar individualmente quais autoridades frequentavam sua residência.

Encontros também foram citados à Polícia Federal

Além do depoimento ao STF, Vorcaro confirmou à Polícia Federal, no ano passado, que se reuniu com Ibaneis Rocha para tratar da negociação envolvendo o Banco Master e o BRB. Os encontros, de acordo com o banqueiro, teriam ocorrido entre 2024 e 2025, reforçando a conexão entre o governador e a tentativa de aquisição que acabou frustrada.

Ibaneis voltou a minimizar essas reuniões, reiterando que se tratavam de diálogos institucionais e comuns no ambiente político e empresarial de Brasília.

Governador reage a pedidos de impeachment

Nesta terça-feira (3), durante a inauguração da primeira unidade do Na Hora Empresarial, no Venâncio Shopping, em Brasília, Ibaneis foi além e afirmou estar “totalmente limpo” no âmbito das apurações relacionadas ao caso. Ele também comentou os pedidos de impeachment apresentados por partidos da oposição, classificando a iniciativa como parte de um processo “extremamente democrático”.

No fim de janeiro, PSB, Cidadania e PSOL protocolaram dois pedidos de impeachment contra o governador na Câmara Legislativa do Distrito Federal. As ações apontam possíveis crimes de responsabilidade supostamente cometidos durante as negociações entre o BRB e o Banco Master.

Críticas à condução do caso pelo governo do DF

Um dos pedidos, apresentado por PSB e Cidadania, sustenta que a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB não teria como objetivo fortalecer a instituição adquirida, mas sim ocultar um suposto passivo relevante dentro de uma estrutura pública.

O documento também acusa Ibaneis de politizar uma decisão técnica do Banco Central, ao atribuir a rejeição da operação a interferências partidárias, em vez de determinar a abertura de apurações internas. Segundo os partidos, essa postura configuraria omissão dolosa e conivência com atos de gestão fraudulenta praticados pela alta direção do BRB.

Embora os pedidos ainda precisem percorrer um longo trâmite antes de eventual votação em plenário, o episódio já expõe fissuras importantes na relação entre o governo do DF, o sistema financeiro e os órgãos de controle. No centro dessa crise, mais do que encontros ou conversas institucionais, está a expectativa da sociedade por transparência, responsabilidade e respostas claras em um caso que segue lançando sombras sobre o poder público.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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