Advogado-geral da União reúne respaldo no Senado, inclusive de parlamentares evangélicos, e tende a ter nome confirmado após o Carnaval.
Nos bastidores de Brasília, onde gestos silenciosos costumam dizer mais do que discursos inflamados, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal começa a ganhar contornos de consenso. O que antes enfrentava resistência política agora avança em um ambiente de acomodação e pragmatismo, indicando que a sabatina e a votação do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ocorrer com menos turbulência do que se imaginava.
De acordo com apuração da Jovem Pan, a expectativa é de que a indicação do advogado-geral da União seja aprovada tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário do Senado, após o Carnaval. O movimento mais simbólico é a sinalização de apoio de senadores bolsonaristas que, até o ano passado, demonstravam forte resistência ao nome de Messias.
Apoio religioso e redução das resistências
Além da base governista, Jorge Messias também conta com o respaldo de senadores evangélicos, um grupo que costuma ter peso decisivo em votações desse porte. Segundo relatos, o indicado só não conseguiu apoio entre os bolsonaristas mais alinhados ideologicamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, considerados hoje minoria dentro da Casa.
A mudança de postura de parte da oposição indica uma leitura mais pragmática do cenário político e da correlação de forças no Senado, onde o Planalto vem atuando para reduzir tensões e pavimentar acordos.
Adiamento no passado e disputa de bastidores
Em dezembro do ano passado, a sabatina de Jorge Messias foi adiada por decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Oficialmente, a justificativa foi a ausência da mensagem formal de indicação por parte do governo, mas o adiamento ocorreu em meio à preferência de Alcolumbre pelo nome do senador Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo.
O episódio evidenciou a disputa silenciosa por espaço e influência na Corte, além de mostrar que a indicação não dependia apenas de currículo, mas também de alinhamentos políticos delicados.
Retomada das articulações no Senado
Com o retorno das atividades parlamentares, Lula deve se reunir com Davi Alcolumbre para tratar, entre outros temas, da indicação de Jorge Messias para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso do STF. Inicialmente prevista para a próxima semana, a reunião com senadores deve ocorrer apenas após o Carnaval, segundo apuração da Jovem Pan.
Mais do que uma escolha individual, a nomeação de Messias simboliza a tentativa do governo de construir pontes em um Congresso fragmentado. A possível aprovação com votos de diferentes campos políticos revela que, no xadrez institucional, o Supremo continua sendo um espaço onde o diálogo, ainda que tenso, acaba se impondo sobre a polarização.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Ascom-AGU













