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Lula diz que alertou o filho sobre investigação do INSS e promete punição sem exceções

Presidente afirma que não haverá interferência política nas apurações, defende Lewandowski no caso Banco Master e reforça discurso de responsabilidade institucional.

Em um momento em que desconfiança, cobranças públicas e disputas narrativas se cruzam no centro do poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu falar de forma direta, pessoal e sem rodeios. Ao comentar as investigações sobre fraudes no INSS e o envolvimento de nomes próximos ao governo, Lula adotou um tom firme e simbólico, que mistura autoridade presidencial com a dimensão íntima de um pai que cobra responsabilidade do próprio filho.

Em entrevista ao UOL, nesta quarta-feira (5), o presidente revelou que chamou o filho para uma conversa “olho no olho” assim que seu nome passou a ser citado nas apurações. Segundo Lula, o recado foi claro: não haverá proteção política nem relativização da lei. “Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa”, afirmou.

INSS: Lula aponta origem no governo Bolsonaro, mas promete punição a todos

Ao tratar do escândalo envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social, Lula atribuiu a origem das fraudes à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas fez questão de afirmar que qualquer integrante de seu governo que esteja envolvido também será responsabilizado.

De acordo com o presidente, as irregularidades foram descobertas a partir do trabalho conjunto da Advocacia-Geral da União, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal. “A investigação do INSS acontece porque o governo descobriu que tinha sido montada uma quadrilha no governo Bolsonaro”, declarou.

Lula lembrou ainda que chegou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o caso, mas que a ideia não avançou após avaliação política dentro do próprio campo governista e de partidos aliados. Apesar disso, reforçou que a orientação segue sendo uma só: investigar quem precisar ser investigado.

Banco Master: alerta a Vorcaro e promessa de apuração técnica

O presidente também comentou a crise envolvendo o Banco Master e confirmou que recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Lula, durante a conversa, deixou explícito que não haverá qualquer interferência política no caso.

“Disse a ele que não haverá interferência política, mas sim uma apuração técnica rigorosa por parte do Banco Central”, afirmou. Para o presidente, a responsabilidade pelo rombo financeiro será cobrada de todos os envolvidos. “Quem estiver metido nisso vai pagar o preço da responsabilidade do rombo, talvez o maior da história deste país.”

Lula disse ainda que o governo quer esclarecer por que recursos de fundos ligados a trabalhadores foram aplicados no banco e questionou a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília, além de decisões tomadas por governos estaduais.

Defesa de Lewandowski e crítica ao uso político do caso

Ao ser questionado sobre o contrato de R$ 5 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório do ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, Lula saiu em defesa do aliado. Segundo ele, o jurista encerrou o vínculo com o banco assim que foi convidado para integrar o governo.

“O Lewandowski é um dos maiores juristas que este país já produziu”, afirmou. Lula destacou que é natural que profissionais renomados prestem serviços a empresas privadas e que não vê irregularidade na atuação anterior do ministro.

Para o presidente, o foco deve estar na apuração dos fatos, e não na exploração política de relações profissionais legítimas.

STF, Jorge Messias e o clima político

Lula também falou sobre a possível indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Disse estar confiante na aprovação do nome pelo Senado e afirmou que ainda pretende dialogar com lideranças da Casa, incluindo o presidente Davi Alcolumbre.

Ao fazer um balanço mais amplo do país, o presidente afirmou que o Brasil superou a instabilidade institucional recente e vive um momento de crescimento econômico e reconhecimento internacional. Segundo ele, o país cresce cerca de 3% ao ano, atrai investimentos externos e avança em áreas estratégicas como tecnologia, indústria e inteligência artificial.

Entre discurso e expectativa

Ao se posicionar de forma pública sobre investigações que envolvem seu governo, aliados e até o próprio filho, Lula tenta reforçar a imagem de um presidente que aposta na institucionalidade e no peso da lei. Resta saber se, diante das pressões políticas e dos interesses cruzados, esse discurso encontrará respaldo prático nas decisões que ainda estão por vir e se o país, atento, perceberá coerência entre palavra, ação e responsabilidade pública.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Brasil

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