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Fila de CPIs cresce na Câmara e coloca pressão sobre Hugo Motta

Com 16 requerimentos parados desde 2023, pedidos tratam de temas sensíveis e o PL lidera a lista; presidência aposta no rito como freio político.

A fila anda lenta, mas o peso político que ela carrega é enorme. Em um Congresso cada vez mais tensionado por disputas de poder, agendas sensíveis e clima pré-eleitoral, a instalação de CPIs voltou ao centro do debate e expôs um gargalo que se arrasta desde o início da atual legislatura. Na Câmara dos Deputados, investigar também virou uma disputa por tempo, prioridade e conveniência política.

A declaração do presidente da Casa, Hugo Motta, de que seguirá rigorosamente o rito regimental para a criação das comissões ganha outra dimensão quando se observa o tamanho real da demanda represada. Desde 2023, ao menos 16 requerimentos de CPI aguardam análise, formando uma fila que envolve temas de forte apelo público e alto potencial de desgaste político.

Uma fila cheia de temas explosivos

Levantamento aponta que os pedidos acumulados tratam de assuntos como fraudes no INSS, crimes contra crianças e adolescentes, crime organizado, planos de saúde, violência contra mulheres e grandes escândalos financeiros. São temas que mobilizam opinião pública, pressionam parlamentares e colocam a presidência da Câmara sob constante escrutínio.

Nesse cenário, o requerimento RCP 1/2026, que propõe investigar supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o BRB, aparece no meio da fila. O pedido fica atrás de CPIs consideradas ainda mais sensíveis politicamente e com maior pressão social, o que reduz as chances de avanço rápido sem gerar custos políticos para a Mesa Diretora.

Rito regimental como linha de defesa

Na última semana, Hugo Motta foi direto ao abordar o assunto. Segundo ele, as CPIs precisam obedecer à ordem cronológica e às regras internas da Casa, que limitam o funcionamento simultâneo a cinco comissões.

De acordo com o presidente, somente no ano passado foram protocolados cerca de 15 ou 16 pedidos, sem que nenhum tenha sido instalado. Agora, segundo Motta, a Câmara começará a debater esse conjunto de requerimentos, sempre respeitando o regimento.

PL lidera pedidos e amplia disputa

O mapeamento dos autores dos requerimentos revela outro dado relevante. O PL lidera a fila, com sete pedidos de CPI protocolados. Em seguida aparecem o PSB, com quatro, e o União Brasil, com três. Republicanos e PT têm dois pedidos cada, enquanto Solidariedade e PP aparecem com um requerimento cada.

Essa pulverização partidária amplia a complexidade da decisão. Na prática, destravar uma CPI significa escolher quais temas avançam e quais permanecem engavetados, o que inevitavelmente gera ruídos, insatisfações e disputas internas.

Bastidores e cálculo político

Nos corredores do Congresso, a avaliação é de que o apego ao rito virou também um escudo institucional. Seguir estritamente as regras ajuda a evitar que a disputa por CPIs se transforme em uma crise permanente, sobretudo em um ambiente pré-eleitoral e marcado por múltiplas frentes de pressão ao mesmo tempo.

No fim das contas, a fila de CPIs revela mais do que um problema administrativo. Ela escancara o dilema político da Câmara: investigar é necessário, mas escolher o que investigar, quando e em que ordem pode definir alianças, desgastes e narrativas. Em um Parlamento pressionado por todos os lados, até o tempo virou instrumento de poder.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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