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Negociações entre EUA, Rússia e Ucrânia terminam sem acordo em Genebra

Encontro mediado por Washington dura apenas duas horas e expõe tensão crescente às vésperas de quatro anos de guerra.

Quatro anos depois do início da guerra que mudou o mapa da Europa e abalou o equilíbrio global, a esperança de um cessar-fogo voltou a esbarrar em impasses. As negociações realizadas nesta quarta-feira (18), em Genebra, terminaram sem acordo após apenas duas horas de conversas, deixando no ar a sensação de que a paz ainda está distante.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou as discussões como “difíceis” e acusou a Rússia de tentar prolongar deliberadamente as tratativas. Segundo ele, Moscou estaria retardando um entendimento que, na avaliação ucraniana, já poderia ter avançado para uma fase final.

Acusações e clima de desconfiança

As conversas, mediadas pelos Estados Unidos, ocorreram na Suíça. Nos últimos dias, o presidente americano Donald Trump afirmou que caberia à Ucrânia tomar medidas para garantir o sucesso das negociações.

Em publicação na rede social X, Zelensky afirmou que as reuniões foram tensas e indicou que qualquer plano que envolva a cessão de territórios não capturados pela Rússia na região de Donbas será rejeitado pela população ucraniana caso seja submetido a referendo. Segundo o site Axios, o presidente declarou esperar que a postura russa seja apenas uma tática e não uma decisão definitiva.

Trump, por sua vez, declarou a jornalistas no início da semana que a Ucrânia precisa se sentar rapidamente à mesa de negociações, sem detalhar possíveis concessões.

Relatos de tensão nas reuniões

As tratativas ocorrem poucos dias antes do quarto aniversário da invasão russa iniciada em 2022. Desde então, centenas de milhares de pessoas morreram, milhões deixaram suas casas e diversas cidades ucranianas foram devastadas. A Rússia nega atacar civis deliberadamente.

O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, afirmou que as conversas anteriores se concentraram em “questões práticas e na mecânica de possíveis decisões”, mas evitou detalhar propostas discutidas. Agências russas, no entanto, citaram uma fonte que classificou o segundo dia de negociações como “muito tenso”, com encontros bilaterais e trilaterais que se estenderam por até seis horas.

O mercado reagiu ao impasse. Títulos do governo ucraniano chegaram a cair 1,9 centavo de dólar nas negociações da manhã na Europa, refletindo a frustração com a falta de avanços.

Território e infraestrutura no centro do conflito

Antes mesmo do início das reuniões em Genebra, Umerov já havia reduzido as expectativas de um avanço expressivo, afirmando que a delegação trabalhava “sem grandes expectativas”. Rodadas anteriores, realizadas em Abu Dhabi com mediação americana, também terminaram sem progresso significativo.

Atualmente, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e áreas da região de Donbas ocupadas antes da invasão em larga escala. Ataques recentes contra a infraestrutura energética deixaram centenas de milhares de ucranianos sem aquecimento e eletricidade em meio ao rigoroso inverno do leste europeu.

Enquanto diplomatas negociam e líderes trocam declarações, a população civil continua pagando o preço mais alto. A cada rodada frustrada, renova-se a pergunta que ecoa dentro e fora da Ucrânia: quanto tempo mais será necessário para que a guerra dê lugar à reconstrução e à paz?

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/G1-Globo.com

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