Fontes relatam que alerta ocorre em meio a ceticismo sobre negociações com os EUA e cenários de ofensiva conjunta nos próximos dias.
O clima de tensão no Oriente Médio ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (18). Israel elevou o nível de alerta e intensificou seus preparativos militares diante de crescentes indícios de um possível ataque conjunto com os Estados Unidos contra Irã nos próximos dias, segundo duas fontes israelenses ouvidas pela CNN Brasil. Uma delas, um oficial militar, afirmou que há ceticismo sobre as negociações em curso e que as Forças de Defesa israelenses estão acelerando tanto planejamento operacional quanto medidas defensivas.
Preparação e sinais de alerta
De acordo com as fontes, apesar de um “progresso anunciado” na segunda rodada de negociações entre EUA e Irã na terça-feira, Israel tem dúvidas sobre a eficácia do diálogo e tem se preparado para todas as eventualidades. Um dos interlocutores disse que, caso o presidente americano Donald Trump autorize uma ofensiva, ela poderia ser mais longa e complexa do que o conflito que durou 12 dias em junho de 2025 e envolver ataque coordenado entre as duas nações.
Fontes também afirmam que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem se reunido com conselheiros de segurança especial nos últimos dias para avaliar prontidão militar e coordenação. Nesta quarta, o ex-chefe da inteligência militar israelense Amos Yadlin declarou que estão “muito mais perto do que antes” de um possível ataque, e sugeriu cautela até mesmo para viagens aéreas.
Enquanto isso, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do parlamento israelense realizou uma reunião a portas fechadas com o chefe do Comando da Defesa Civil. O presidente da comissão, Boaz Bismuth, reforçou que o país vive “tempos desafiadores diante do Irã” e que governo e população devem estar prontos para qualquer cenário.
Negociações e ameaças
O possível ataque ocorre em um momento de negociações diplomáticas com diferentes objetivos — muitas delas voltadas à retomada de um acordo nuclear ou à tentativa de redução das tensões regionais. Apesar de algumas rodadas de diálogo, o Irã tem dito que só avançará em condições em que “ameaças e demandas sejam deixadas de lado”, e reafirmou que suas Forças Armadas estão preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão.
O presidente Trump, por sua vez, tem feito declarações firmes sobre a necessidade de um acordo “justo” e enviado grupos navais e aéreo-militares para a região como demonstração de força.
No coração dessa dinâmica está a pergunta que paira sobre governos, militares e populações civis: até que ponto a diplomacia ainda pode conter uma escalada que muitos agora descrevem como iminente? À medida que alertas e preparativos aumentam, cresce também a apreensão sobre o que vem a seguir nessa relação histórica e volátil entre Teerã, Jerusalém e Washington.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













