Ex-deputado preso pela Polícia Federal é apontado como elo entre crime organizado e economia formal.
A CPI do Crime Organizado quer avançar sobre um dos nomes mais sensíveis das investigações em curso no país. O colegiado tenta garantir, já nesta quarta-feira, o depoimento do ex-deputado conhecido como TH Joias, preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
A convocação mira Thiego Raimundo dos Santos Silva, detido em setembro pela Polícia Federal. Segundo as investigações, ele seria um braço político da facção criminosa Comando Vermelho, atuando na articulação e possível infiltração do grupo na economia formal.
Autorização do Supremo ainda é aguardada
O presidente da CPI, Fabiano Contarato, afirmou durante sessão nesta terça-feira que a presença do ex-deputado é imprescindível para esclarecer como o crime organizado expande sua atuação para além das atividades ilícitas tradicionais.
Segundo ele, foi solicitado ao Supremo Tribunal Federal autorização para que o preso possa comparecer à comissão, mas até o momento não houve resposta.
No requerimento de convocação, o senador Alessandro Vieira argumentou que organizações criminosas têm demonstrado alto grau de sofisticação, utilizando estratégias como lavagem de dinheiro e infiltração em setores legais da economia, o que tornaria o depoimento essencial para o aprofundamento das investigações.
Transferência para presídio federal
Após a prisão, TH Joias foi transferido do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, para a Penitenciária Federal de Brasília, por determinação do Supremo. A unidade é considerada uma das mais seguras da América Latina e abriga presos de alta periculosidade.
O presídio conta com 208 celas individuais de seis metros quadrados, equipadas com cama, escrivaninha e banheiro. O regime é rigoroso, com controle restrito de movimentação e monitoramento constante.
Depoimento pode ocorrer de forma presencial ou virtual
A forma do depoimento ainda não está definida. A reportagem tentou contato com a equipe de Fabiano Contarato para saber se a oitiva ocorrerá presencialmente ou por videoconferência, mas aguarda retorno.
Se confirmada, a oitiva pode se tornar um dos momentos mais emblemáticos da CPI. O caso expõe uma discussão que vai além de um nome específico: até que ponto o crime organizado consegue atravessar as fronteiras do submundo e ocupar espaços de poder, influência e legitimidade dentro do próprio Estado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução Alerj













