Senadores pressionam por respostas sobre liquidação do banco e fraudes bilionárias; transportes e logística são discutidos com o STF.
Em um momento em que o Brasil acompanha com atenção as repercussões do chamado “Caso Master”, a Comissao de Assuntos Economicos (CAE) do Senado Federal anunciou a remarcação do depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o dia 10 de março, terça-feira da próxima semana. A data foi ajustada depois de conversa entre o presidente da comissão, Renan Calheiros, e a defesa de Vorcaro, com o compromisso de que ele prestará depoimento presencial em Brasília.
O episódio faz parte de um esforço mais amplo do Senado para esclarecer os contornos da liquidação do Master pelo Banco Central do Brasil e as supostas irregularidades que envolveram a instituição financeira, que enfrenta acusações de fraudes massivas, emissão irregular de títulos e prejuízos bilionários a investidores.
Contexto do “Caso Master” e CPI paralela
O depoimento de Vorcaro na CAE chega após uma série de adiamentos e resistência inicial do banqueiro em comparecer às audiências. Ele já havia sido convidado a depor na Comissao Parlamentar Mista de Inquerito do INSS, mas decidiu não participar daquela oitiva, amparado por uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que definiu que sua presença é facultativa por estar na condição de investigado.
O próprio presidente da CPI do INSS chegou a anunciar que recorrerá da decisão do STF, argumentando que a ausência de Vorcaro prejudica as investigações sobre possíveis descontos irregulares em benefícios previdenciários e empréstimos consignados que podem atingir centenas de milhares de brasileiros.
Além disso, o grupo de trabalho da CAE tem se reunido com autoridades e representantes de órgãos como a Controladoria Geral da Uniao, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Comissao de Valores Mobiliarios para aprofundar a fiscalização e obter mais transparência nos processos que envolveram a liquidação do banco e a atuação desses órgãos na supervisão.
Pressões sobre órgãos reguladores e fiscalização
Paralelamente ao agendamento do depoimento, o presidente interino da CVM admitiu limitações na fiscalização do banco e apontou que irregularidades vinham sendo identificadas desde 2022, mas que faltam recursos humanos e tecnológicos para acelerar apurações mais profundas — algo que tem sido criticado por senadores.
Senadores também relataram que o STF, por meio de decisão do ministro Mendonça, ofereceu apoio logístico para transporte de Vorcaro de São Paulo a Brasília, utilizando estrutura da Polícia Federal, o que foi interpretado como esforço institucional para viabilizar o depoimento presencial.
O que está em jogo
O “Caso Master” ganhou destaque nacional depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025 diante de uma crise de liquidez e suspeitas de irregularidades que podem ultrapassar a casa dos bilhões de reais. Investigadores também apuram tentativas de compra da instituição por meio de entidades públicas e supostas manipulações contábeis que inflaram artificialmente ativos.
O depoimento de Vorcaro à CAE tem enorme relevância porque pode trazer respostas diretas sobre decisões internas do banco, a condução das operações nos últimos anos e esclarecimentos sobre sua relação com órgãos reguladores e responsabilidades pelos prejuízos causados a investidores, aposentados e o sistema financeiro.
À medida que a data se aproxima, a expectativa é que a fala de Vorcaro ajude a preencher lacunas importantes, fortaleça a transparência sobre o episódio e ofereça elementos que iluminem não apenas a atuação do banco, mas também a eficiência da regulação financeira no país: reflexões que ultrapassam o próprio caso e tocam a confiança dos cidadãos no sistema econômico e institucional brasileiro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













