Comissão amplia investigação sobre fraudes em consignados e avança sobre contratos que somam bilhões de reais.
A CPMI do INSS deu um passo decisivo nesta quinta-feira (26) ao aprovar a quebra de sigilo bancário e fiscal do Banco Master e a convocação do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio e ex-CEO da instituição. A decisão aprofunda a investigação sobre suspeitas de fraudes envolvendo aposentados e pensionistas, um dos públicos mais vulneráveis do país.
A comissão, que apura desvios no repasse de benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, também concentra esforços em possíveis irregularidades na oferta de crédito consignado. O banco já é alvo de apurações da Polícia Federal por supostas fraudes financeiras.
Ex-sócio preso e operação da PF
Conhecido como Guga Lima, Augusto Ferreira Lima foi sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master. Ele também atuava como controlador do Banco Pleno e foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, que investiga um conjunto de irregularidades atribuídas à instituição financeira.
A convocação de Lima foi defendida em requerimento apresentado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). No documento, a parlamentar afirma que, diante da prisão do ex-CEO, é imprescindível que ele preste esclarecimentos sobre a responsabilidade institucional pelos prejuízos causados a segurados do INSS.
Segundo o pedido, o Master mantinha acordo de cooperação técnica com o INSS para ofertar crédito consignado. A senadora também mencionou o volume expressivo de reclamações registradas contra o banco na plataforma consumidor.gov, apontando um padrão de problemas que teria atingido diretamente beneficiários da Previdência.
Contratos sob suspeita e cifras bilionárias
No requerimento que solicitou a quebra de sigilo, parlamentares citaram as carteiras de crédito ofertadas a segurados do INSS. Também foi mencionada declaração do presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior, informando que mais de 250 mil contratos de empréstimos consignados viabilizados pelo banco estão sob análise.
Esses contratos, que somam cerca de R$ 2 bilhões, apresentariam indícios de irregularidades e ausência de documentação comprobatória de autenticidade, segundo as informações levadas à comissão.
Com a quebra de sigilo, os integrantes da CPMI poderão acessar movimentações financeiras e dados fiscais da instituição, buscando rastrear fluxos de recursos e eventuais responsabilidades.
Pacote de 87 requerimentos e clima de tensão
Ao todo, a comissão aprovou 87 requerimentos na sessão desta quinta-feira. Entre eles, a convocação de João Roma (PL-BA), ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, além da quebra de sigilo fiscal e bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A sessão acabou suspensa após uma confusão generalizada entre parlamentares. Até então, a base governista, que detém maioria no colegiado, vinha conseguindo barrar pedidos da oposição. Desta vez, no entanto, a oposição articulou e conseguiu aprovar uma série de requerimentos considerados estratégicos.
No centro desse embate político está uma questão que ultrapassa disputas partidárias: a proteção de aposentados e pensionistas que dependem do benefício para sobreviver. Se confirmadas as irregularidades, o impacto vai muito além das cifras bilionárias. Trata-se de restaurar confiança e garantir que quem já contribuiu a vida inteira não seja vítima de esquemas que corroem direitos e esperanças.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













