Especialista aponta ausência de diplomacia e enfraquecimento do direito internacional como fatores que agravam a crise.
A sensação de que o mundo caminha sobre um fio cada vez mais fino já não é apenas percepção; começa a ser análise técnica. O conflito entre Estados Unidos e Irã pode atingir uma proporção global se não houver uma retomada urgente da diplomacia internacional. O alerta é do professor Fauzi Hassan Choukr, especialista em direito internacional, durante participação no Live CNN.

Segundo ele, o principal elemento capaz de interromper, ainda que temporariamente, a escalada do confronto está praticamente ausente no cenário atual: a política internacional.
“Temos a maior carência possível neste momento do principal ingrediente que poderia causar ao menos uma pausa, que é a política internacional”, afirmou.
Diplomacia em colapso
Para o professor, o que se observa nos últimos 12 meses é um enfraquecimento significativo dos mecanismos diplomáticos e do próprio direito internacional como ferramentas de mediação de conflitos. Ele avalia que tanto as ações unilaterais quanto a falta de articulação coordenada da comunidade internacional contribuíram para o agravamento das tensões.
Na análise de Choukr, a ausência de canais efetivos de negociação amplia o risco de envolvimento indireto de outras nações, seja por alianças estratégicas, seja por interesses econômicos e militares na região. Esse efeito dominó, segundo ele, é o que pode transformar um conflito regional em uma crise de escala mundial.
Cessar-fogo improvável no curto prazo
O especialista também ponderou que não depende apenas do Irã a retomada de um “diálogo civilizatório”. Para que haja um cessar-fogo consistente, todas as partes envolvidas: direta ou indiretamente, precisariam demonstrar disposição política concreta para interromper as hostilidades.
No entanto, na avaliação dele, esse cenário não parece provável nas próximas semanas. A retórica adotada até agora indica endurecimento, não recuo.
Morte de Khamenei e efeito interno
Ao comentar o assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, o professor observou um efeito interno importante. Apesar das críticas e restrições que parte da população impunha ao regime, a morte do líder em um ataque estrangeiro pode ter provocado um movimento de coesão nacional.
“O povo tem restrições ao regime atual, mas a morte do líder conseguiu dar elementos de coesão como forma de repúdio a um ataque estrangeiro”, destacou.
Esse fator, segundo ele, pode fortalecer momentaneamente a unidade interna do país e reduzir pressões domésticas contra o governo, ao mesmo tempo em que amplia o discurso de soberania e resistência.
Um mundo em estado de alerta
A análise reforça um cenário de instabilidade que ultrapassa fronteiras. A guerra já impacta mercados, segurança energética e alianças militares. Mas, acima de tudo, expõe uma fragilidade maior: a incapacidade atual da diplomacia internacional de conter conflitos antes que se tornem crises globais.
Quando a política falha, a história mostra que o custo costuma ser alto e raramente restrito a apenas dois países.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













