Direção nacional do partido entra no jogo eleitoral em um dos estados mais bolsonaristas do país; cenário envolve embates ideológicos e questionamentos jurídicos.
Em um estado onde a direita consolidou força nas urnas nos últimos anos, cada movimento político carrega peso estratégico. A decisão da direção nacional do Partido dos Trabalhadores de apoiar as pré-candidaturas ao Senado de Acir Gurgacz e Confúcio Moura redesenha o tabuleiro eleitoral em Rondônia e promete intensificar a polarização já visível no estado.
O gesto do PT ocorre em um território onde o conservadorismo tem ampla capilaridade. Nas eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro venceu nos 52 municípios rondonienses, com mais de 70% dos votos válidos, impondo uma das maiores diferenças proporcionais do país sobre Luiz Inácio Lula da Silva. É nesse ambiente que a sigla busca construir uma frente para 2026.
Confúcio e o desafio de um novo cenário
Ex-governador por dois mandatos e atual senador, Confúcio Moura entra na disputa em um contexto distinto daquele que marcou suas vitórias passadas. Embora tenha trajetória consolidada no estado, enfrenta resistência de parcelas do eleitorado que hoje se identificam majoritariamente com pautas conservadoras.
Entre os temas frequentemente associados à sua gestão está a criação de unidades de conservação, como a Estação Ecológica Soldado da Borracha, assunto que ainda provoca debates entre trabalhadores que vivem há décadas na área e questionam possíveis impactos sobre permanência e regularização fundiária.
Outro ponto explorado por adversários é seu posicionamento favorável à concessão e à cobrança de pedágio na BR-364, uma das principais vias de escoamento da produção rondoniense. A pauta mobiliza setores do agronegócio, transporte e comércio, tornando-se tema sensível na campanha.
Acir e os questionamentos jurídicos
Já Acir Gurgacz, empresário do setor de transportes e proprietário da Eucatur, também se movimenta sob escrutínio jurídico. O senador foi condenado em processo relacionado a financiamento obtido junto ao Banco da Amazônia para aquisição de ônibus. Segundo a acusação, os recursos não teriam sido aplicados conforme as condições contratuais.
A condenação gerou discussões sobre eventual enquadramento na Lei da Ficha Limpa. A assessoria do parlamentar afirma que ele está no pleno gozo de seus direitos políticos e que não há impedimento legal para disputar as próximas eleições. O tema, no entanto, deve voltar ao centro do debate à medida que o calendário eleitoral avance.
Um Senado em disputa ideológica
O apoio formal do PT às duas pré-candidaturas indica uma estratégia de composição pragmática em um estado onde a legenda enfrenta dificuldades históricas. A disputa ao Senado tende a reunir nomes que se apresentam como representantes da direita, o que pode acirrar o embate ideológico e elevar o tom da campanha.
Com duas vagas em jogo em 2026, Rondônia deve assistir a uma das corridas mais polarizadas do país. De um lado, forças que tentam ampliar espaço em território conservador. De outro, candidaturas que buscam consolidar o discurso de alinhamento à direita nacional.
No fim das contas, a eleição no estado será mais do que uma simples escolha de representantes. Será um teste de força política, narrativa e capacidade de articulação em um cenário onde cada voto carrega não apenas preferência partidária, mas identidade e posicionamento diante do Brasil que se quer construir.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













