Bombardeios atingem Teerã, Líbano e Tel Aviv, enquanto ONU alerta para crise humanitária, milhares de deslocados e ao menos 192 crianças mortas no conflito.
O Oriente Médio vive mais um dia marcado pelo som de explosões, sirenes e medo. No sétimo dia da guerra entre Israel e Irã, novos bombardeios sacudiram cidades, destruíram prédios e ampliaram o rastro de sofrimento que já atravessa fronteiras. Enquanto governos trocam acusações e intensificam ataques, quem paga o preço mais alto são os civis, especialmente crianças que, mais uma vez, se tornam vítimas de uma guerra que não escolheram.
A escalada do conflito levou a comunidade internacional a soar um alerta ainda mais grave. Nesta sexta-feira (6), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados classificou oficialmente a crise como uma “grande emergência humanitária”, diante do aumento acelerado da violência, do número de mortos e do deslocamento de milhares de pessoas.
Israel amplia ofensiva aérea na região
As Forças Armadas de Israel intensificaram ataques aéreos em diferentes pontos do sul do Líbano durante a madrugada. Segundo a Agência Nacional de Notícias libanesa, aviões de guerra bombardearam cidades como Srifa, Aita al-Shaab, Touline, Sawana e Majdal Selm.
Os militares israelenses também afirmaram ter concluído uma grande operação aérea em Dahiya, área densamente povoada no sul de Beirute considerada reduto do Hezbollah. De acordo com Israel, ao menos dez edifícios e centros de comando ligados ao grupo foram atingidos.
Outro bombardeio teve como alvo a cidade de Dours, no leste libanês, ampliando ainda mais o alcance da ofensiva israelense no território vizinho.
Explosões atingem Teerã
Ao mesmo tempo, novos ataques foram registrados no próprio Irã. Pelo menos seis grandes explosões foram ouvidas nas regiões central e leste de Teerã.
Segundo a televisão estatal iraniana, uma clínica médica, um posto de gasolina, um estacionamento e dois prédios residenciais foram destruídos após bombardeios atingirem diferentes bairros da capital.
Entre os alvos também estaria o complexo associado ao líder supremo iraniano morto recentemente, Ali Khamenei, além de áreas próximas ao palácio presidencial e ao Conselho de Segurança Nacional.
Irã responde com mísseis contra Tel Aviv
Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou uma nova onda de lançamentos de mísseis e drones contra o centro comercial de Tel Aviv.
A agência estatal iraniana IRNA afirmou que os ataques tiveram como alvo “locais no coração da cidade”. Jornalistas da AFP relataram diversas explosões no céu de Tel Aviv, enquanto sistemas de defesa israelenses tentavam interceptar os projéteis.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel confirmaram a detecção de mísseis lançados a partir do território iraniano e informaram que os sistemas antimísseis foram acionados para neutralizar a ameaça.
Trump descarta envio de tropas terrestres
Em meio à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considerar o envio de tropas terrestres americanas ao Irã seria uma “perda de tempo”.
Em entrevista à rede NBC, Trump disse que o país já teria perdido grande parte de sua capacidade militar.
A declaração foi uma resposta ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que havia alertado que uma invasão terrestre americana ou israelense seria “desastrosa” para quem tentasse realizá-la.
Crianças entre as maiores vítimas da guerra
O impacto da guerra sobre civis tem sido devastador. O UNICEF informou que ao menos 192 crianças morreram desde o início do conflito.
Segundo o balanço da organização, 181 mortes ocorreram no Irã, sete no Líbano, três em Israel e uma no Kuwait.
Em publicação nas redes sociais, o UNICEF destacou que crianças nunca iniciam guerras, mas acabam pagando um preço desproporcional por elas. A entidade pediu proteção urgente para os menores que vivem na região.
ONU alerta para crise humanitária e deslocamento em massa
Diante da escalada da violência, o ACNUR declarou a situação no Oriente Médio como uma grande emergência humanitária.
Em entrevista coletiva em Genebra, o diretor de emergências da agência, Ayaki Ito, afirmou que a situação exige uma resposta internacional imediata.
A guerra, iniciada após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã no último sábado, já provocou deslocamentos massivos de população. Apenas no Líbano, quase 100 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas desde que o país foi arrastado para o conflito.
Segundo o ACNUR, as regiões afetadas já abrigavam cerca de 25 milhões de pessoas entre refugiados, deslocados internos e repatriados antes mesmo da atual crise.
No meio da disputa militar, das estratégias políticas e das declarações de líderes mundiais, o que permanece é uma realidade dura e silenciosa: famílias abandonando tudo para sobreviver, cidades marcadas pela destruição e uma geração de crianças crescendo entre ruínas. Em guerras como essa, a pergunta que ecoa para o mundo é sempre a mesma e continua sem resposta clara: até quando a humanidade aceitará que o preço da geopolítica seja pago com vidas inocentes?
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/AFP













