Gabinete do ministro diz que material extraído dos celulares só chegou ao STF após mudança de relatoria para André Mendonça.
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta sexta-feira (6) que não teve acesso aos dados extraídos dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto esteve responsável pela relatoria do chamado caso Master. Segundo comunicado divulgado por seu gabinete, o material só foi encaminhado à Corte após a mudança de relator no processo.
De acordo com a nota, até o dia 12 de fevereiro de 2026; data em que deixou a condução do caso, nenhuma informação retirada dos aparelhos havia sido enviada ao STF. O ministro destacou ainda que sua última decisão no processo foi justamente determinar que a Polícia Federal do Brasil encaminhasse os dados apreendidos ao Supremo.
Mensagens motivaram nova fase da investigação
O conteúdo obtido nos celulares foi determinante para a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva de Vorcaro e de outros investigados.
Segundo a Polícia Federal, as mensagens indicam tentativas de interferência nas investigações. Os investigadores apontam a existência de um grupo que buscava acessar informações sigilosas e intimidar jornalistas e pessoas consideradas adversárias.
As apurações também apontam indícios de acesso indevido a sistemas restritos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol.
Suposta troca de mensagens com Moraes
Parte do material também revelou menções a uma conversa entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. De acordo com reportagem do jornal O Globo, horas antes de uma operação da Polícia Federal que resultou na primeira prisão do empresário, no ano passado, o banqueiro teria enviado a Moraes a mensagem: “Conseguiu bloquear?”.
Relatoria marcada por críticas
Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro, após uma reunião entre os dez ministros da Corte que durou mais de quatro horas e ocorreu em meio a uma das maiores crises de credibilidade enfrentadas recentemente pelo Supremo.
A condução do processo gerou questionamentos desde o início. Pouco depois de assumir o caso, Toffoli viajou para a final da Copa Libertadores da América, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados ligados à defesa no processo envolvendo o Banco Master.
Posteriormente, o ministro determinou sigilo máximo sobre a investigação e ordenou que o material apreendido pela Polícia Federal fosse lacrado e enviado diretamente ao Supremo: decisão que provocou forte reação dentro da corporação.
Mais tarde, Toffoli recuou e autorizou que a Polícia Federal tivesse acesso aos documentos, mas determinou que agentes designados por ele acompanhassem a perícia do material.
Mudança de relator
Com a saída de Toffoli da condução do processo, o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator do caso.
Como Mendonça integra a Segunda Turma do Supremo, eventuais decisões futuras relacionadas à investigação, incluindo possíveis ações penais, deverão ser analisadas por esse colegiado e poderão contar também com o voto de Toffoli nas deliberações.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Carlos Moura/STF













