Após ataques dos Estados Unidos que mataram o líder iraniano, ministro do Esporte afirma que país não participará do Mundial “em nenhuma circunstância”.
A guerra no Oriente Médio começa a produzir efeitos que ultrapassam o campo político e militar e chegam até o esporte. Em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel, o governo do Irã afirmou que pode desistir da Copa do Mundo FIFA de 2026, decisão que pode custar ao país uma multa milionária.
A declaração foi feita pelo ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, que afirmou que o país não participará do torneio em nenhuma circunstância após os ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel que resultaram na morte do líder iraniano Ali Khamenei.
Segundo Donyamali, o clima de guerra e luto nacional inviabiliza a presença da seleção no principal torneio do futebol mundial.
Declaração reforça clima de ruptura
Em entrevista à televisão estatal, o ministro afirmou que a participação do país no Mundial se tornou impensável diante do cenário atual.
“Considerando que esse regime corrupto assassinou nosso líder, em nenhuma circunstância podemos participar da Copa do Mundo”, declarou.
Ele também alegou que a segurança da população está comprometida e que o país atravessa um momento de conflito prolongado. Segundo o ministro, as ações militares recentes teriam provocado milhares de mortes e aprofundado o sentimento de hostilidade contra os Estados Unidos.
O que diz o regulamento da Fifa
A possível desistência do Irã, no entanto, pode trazer consequências financeiras. De acordo com o regulamento da FIFA, qualquer seleção que abandone o torneio até 30 dias antes da partida de abertura pode ser punida pelo Comitê Disciplinar da entidade.
A penalidade mínima prevista é uma multa de 250 mil francos suíços, valor que gira em torno de R$ 1,6 milhão.
O Mundial de 2026 será realizado entre 11 de junho e 19 de julho e terá sedes em três países: Estados Unidos, México e Canadá. A competição será a primeira da história com 48 seleções participantes.
Quem pode ocupar a vaga
Caso o Irã realmente abandone o torneio, a Fifa poderá convocar outra seleção para ocupar a vaga. O regulamento não estabelece um critério totalmente fixo para essa substituição.
Entre os possíveis candidatos aparecem os Emirados Árabes Unidos, que foram o melhor colocado seguinte nas eliminatórias asiáticas, ou o Iraque, que venceu a repescagem asiática e disputa a fase final da repescagem mundial.
Grupo já estava definido
No sorteio realizado em dezembro, a seleção iraniana foi colocada no Grupo G ao lado da Seleção da Bélgica, da Seleção do Egito e da Seleção da Nova Zelândia.
As três partidas da fase de grupos estavam programadas para acontecer nos Estados Unidos, duas delas em Los Angeles e uma em Seattle.
Havia ainda a possibilidade de um encontro direto entre Estados Unidos e Irã nas fases eliminatórias. Caso ambas as seleções terminassem em segundo lugar em seus grupos, elas poderiam se enfrentar em um jogo decisivo no dia 3 de julho, em Dallas.
Em meio a bombas, tensões diplomáticas e disputas geopolíticas, o futebol, que tantas vezes simboliza união entre povos, também acaba refletindo as feridas abertas do mundo real. E, mais uma vez, a política mostra que, mesmo no maior palco do esporte global, a guerra ainda pode falar mais alto que o jogo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













