Presidente Masoud Pezeshkian exige reconhecimento dos direitos do país, pagamento de reparações e garantias internacionais contra novos ataques.
Em meio à escalada de tensão que já deixou milhares de vítimas e ampliou o risco de uma crise regional ainda maior, o governo iraniano apresentou pela primeira vez condições públicas para encerrar a guerra com Estados Unidos e Israel. As exigências foram anunciadas pelo presidente Masoud Pezeshkian, que afirmou que o país só aceitará negociar o fim do conflito se houver reconhecimento internacional de suas demandas.
Em uma publicação nas redes sociais, Pezeshkian afirmou que a única saída para encerrar o confronto passa pelo que chamou de reparação pelos danos sofridos e por garantias de que o país não será alvo de novas ofensivas militares.
As três exigências de Teerã
Segundo o presidente iraniano, há três condições principais para que a guerra seja encerrada.
A primeira é o reconhecimento dos “direitos legítimos do Irã” pela comunidade internacional. A segunda é o pagamento de reparações pelos ataques sofridos durante o conflito. Já a terceira envolve garantias internacionais firmes para impedir novas agressões militares contra o país.
“A única maneira de acabar com esta guerra, iniciada pelo regime sionista e pelos Estados Unidos, é reconhecer os direitos legítimos do Irã, pagar reparações e obter garantias internacionais contra futuras agressões”, declarou o presidente.
Conversas com aliados
Pezeshkian também afirmou que manteve conversas com líderes internacionais para discutir os desdobramentos da crise e reforçar o que chamou de compromisso do Irã com a paz.
Entre os contatos mencionados estão representantes da Rússia e do Paquistão.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, inclusive viajou nesta quinta-feira para a Arábia Saudita para uma visita breve, em meio às articulações diplomáticas provocadas pela guerra no Oriente Médio.
Como começou o conflito
A atual guerra começou em 28 de fevereiro, quando uma ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel atingiu alvos em Teerã e matou o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
O ataque também resultou na morte de diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano. Washington afirma ainda ter destruído navios militares, sistemas de defesa aérea e aeronaves do país.
Desde então, o Irã respondeu com ataques contra alvos ligados aos dois países em diferentes partes do Oriente Médio, ampliando o conflito para territórios como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas afirmam que os ataques miram apenas interesses militares dos Estados Unidos e de Israel nesses países.
Mortes e expansão da guerra
O número de vítimas segue aumentando. De acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início do conflito.
A Casa Branca também confirmou ao menos sete mortes de soldados americanos em ataques iranianos ligados diretamente à guerra.
O confronto se estendeu ainda ao Líbano, após o grupo armado Hezbollah, aliado de Teerã, lançar ataques contra território israelense em resposta à morte de Khamenei. Israel passou então a realizar bombardeios contra posições do grupo no país vizinho, onde centenas de pessoas já morreram.
Novo líder supremo
Com a morte de grande parte da liderança iraniana durante os ataques iniciais, um conselho do regime escolheu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
Especialistas avaliam que a escolha indica continuidade da linha política e religiosa do regime, sem mudanças estruturais no sistema de poder.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão e classificou a escolha como um “grande erro”. Segundo ele, a sucessão deveria ter contado com participação internacional, e a liderança de Mojtaba seria “inaceitável”.
Em meio a ameaças, negociações e demonstrações de força militar, as exigências apresentadas por Teerã revelam o tamanho do impasse. A guerra entrou em uma fase em que nenhuma das partes parece disposta a recuar facilmente e o mundo acompanha com apreensão, consciente de que cada nova decisão pode aproximar ainda mais o conflito de uma crise global.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













