Comissão aprovou convocações obrigatórias de pessoas ligadas ao ex-banqueiro; governistas barraram pedidos envolvendo empresária apontada como amiga de Lulinha.
Em meio ao avanço das investigações sobre fraudes no INSS e suspeitas ligadas ao caso do Banco Master, a CPMI instalada no Congresso Nacional decidiu ampliar o número de pessoas convocadas para prestar esclarecimentos. A comissão aprovou nesta quinta-feira (12) novos requerimentos que miram personagens próximos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente no centro das apurações.
A decisão ocorre em um momento em que o escândalo ganha novos desdobramentos políticos e jurídicos, pressionando diferentes setores envolvidos no caso e aumentando a expectativa sobre o que ainda pode vir à tona durante os depoimentos.
Convocações aprovadas pela comissão
Entre os pedidos aprovados estão dois requerimentos para convocar o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi preso após se entregar à Polícia Federal durante a última fase da operação Compliance Zero.
A comissão também aprovou a convocação de Martha Graeff, ex-namorada do ex-banqueiro, após o vazamento de mensagens pessoais trocadas entre os dois.
Além deles, os parlamentares decidiram ouvir dois ex-diretores do Banco Master: Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, que também era sócio da instituição, e Luiz Antônio Bull, ex-diretor responsável pelas áreas de riscos, compliance, recursos humanos, operações e tecnologia.
O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil em novembro do ano passado, após irregularidades identificadas na instituição.
Convocações que ficaram para depois
Durante a sessão, o presidente da comissão, o senador Carlos Viana, anunciou ainda a retirada de pauta de dois requerimentos que pediam a convocação do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A expectativa é que os pedidos voltem à análise na próxima semana, quando também poderá ser discutida a convocação do atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo.
Pedidos rejeitados
Governistas conseguiram maioria nas votações e barraram alguns requerimentos apresentados pela oposição.
Um dos pedidos rejeitados, por 16 votos a 12, buscava convocar a empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva.
O nome dela chegou a ser citado após operações de busca e apreensão relacionadas às fraudes no INSS. No entanto, as quebras de sigilo dela e de Lulinha haviam sido suspensas por decisão do ministro Flávio Dino.
Também foi rejeitado o pedido para convocar Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que Lulinha receberia uma suposta mesada de R$ 300 mil de Antunes.
Outro requerimento derrotado pretendia ouvir a publicitária Danielle Miranda Fonteles, que teria atuado em campanhas de candidatos do PT. A comissão também rejeitou o pedido de convocação de José Antonio Batista Costa, presidente da J&F Participações e integrante do conselho do banco PicPay.
Depoimentos cancelados
A sessão desta quinta-feira também teve mudanças na agenda de depoimentos previstos pela comissão.
Inicialmente, estavam marcadas oitivas com Artur Ildefonso Brotto Azevedo, CEO do Banco C6; Paulo Gabriel Negreiros de Almeida, tesoureiro da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura; e Lea Bressy Amorim, diretora de Tecnologia da Informação do INSS.
Lea Amorim informou que não poderia comparecer por licença médica, enquanto o CEO do C6 alegou compromisso previamente agendado. As duas oitivas foram remarcadas para o dia 19.
Já Paulo Negreiros encontra-se preso na Paraíba, e a comissão aguarda retorno do Supremo Tribunal Federal para viabilizar o depoimento.
Também estava prevista a oitiva da presidente do Sociedade Esportiva Palmeiras e da Crefisa, Leila Pereira. No entanto, decisão do ministro Flávio Dino garantiu que ela não seja conduzida coercitivamente. Segundo a comissão, o depoimento deve ocorrer na próxima quarta-feira (18).
Em meio a disputas políticas, decisões judiciais e novos nomes surgindo nas investigações, a CPMI segue avançando em um dos casos mais sensíveis do momento. A cada nova convocação, cresce também a expectativa sobre quais revelações ainda podem surgir e até onde esse escândalo pode alcançar dentro do cenário político e econômico do país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













