Aliados defendem divulgar propostas apenas em junho para evitar desgaste eleitoral com temas econômicos considerados impopulares.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, discutem adiar o lançamento do plano de governo da campanha. A proposta inicial era apresentar as diretrizes no fim de março, mas interlocutores defendem que a divulgação ocorra apenas em junho.
A estratégia, segundo relatos feitos à CNN, busca preservar o momento favorável do parlamentar nas pesquisas eleitorais. Levantamentos recentes indicam empate técnico em simulações de segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A avaliação entre aliados é que a apresentação antecipada do programa poderia gerar desgaste político, principalmente porque algumas das propostas em discussão incluem medidas econômicas sensíveis.
Temas considerados impopulares
Entre os pontos debatidos pela equipe do senador estão novas reformas macroeconômicas e possíveis mudanças no atual arcabouço fiscal.
Segundo aliados, embora essas propostas sejam vistas como necessárias por parte do mercado, elas podem abrir espaço para críticas durante a pré-campanha e provocar reações negativas do eleitorado.
Por isso, a ideia seria evitar que o debate sobre temas considerados impopulares interfira no momento de crescimento do pré-candidato nas pesquisas.
Consulta a nomes da área econômica
A pré-campanha também tem buscado aconselhamento de integrantes da equipe econômica do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os nomes ouvidos estão o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, o ex-presidente do Banco Central do Brasil Roberto Campos Neto, além de Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica, e Gustavo Montezano, que presidiu o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A economista Daniela Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e considerada próxima de Guedes, também tem participado das conversas e é vista como um dos nomes cotados para comandar a área econômica em um eventual governo.
Escolha dependerá de “química” política
Apesar das especulações, interlocutores do senador afirmam que ainda não há favorito para assumir um eventual “superministério” da Fazenda.
Segundo um aliado próximo, o fator decisivo para a escolha será a afinidade pessoal e política, descrita como um “match”: entre o futuro ministro e o próprio Flávio Bolsonaro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













