Defesa nega qualquer intenção de deixar o país e diz que viagens à Europa tiveram caráter profissional.
A suspeita de irregularidades no INSS ganhou um novo capítulo que atinge diretamente o entorno do poder. Nos bastidores, a possibilidade de fuga de Fábio Luís Lula da Silva chegou a ser considerada pela Polícia Federal, acendendo um alerta dentro do Supremo Tribunal Federal e ampliando a tensão em um caso que já provoca desgaste político e institucional.
O receio foi formalizado em um documento sigiloso enviado ao STF no ano passado. À época, além da preocupação com uma eventual saída do país, a Polícia Federal também solicitou a quebra do sigilo fiscal do empresário, no esforço de aprofundar as investigações sobre possíveis conexões com o esquema de fraudes em aposentadorias e pensões.
Defesa contesta suspeitas
A defesa de Lulinha reagiu às suspeitas e negou qualquer intenção de fuga. Segundo os advogados, as viagens do empresário à Europa ocorreram por motivos profissionais e não têm relação com as investigações.
Os representantes legais admitiram que uma ida a Portugal teve despesas custeadas por Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como um dos principais nomes do esquema investigado. Ainda assim, reforçam que não houve fechamento de negócios nem recebimento de valores por parte de Lulinha.
O empresário também nega ter conhecimento das fraudes e sustenta que o único interesse na relação teria surgido a partir de um projeto envolvendo a produção de canabidiol medicinal, tema que o tocou pessoalmente por conta de um tratamento de saúde na família.
Pressão política e impacto no governo
O caso acabou chegando ao próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no início deste ano, teria cobrado do filho explicações públicas para evitar danos à imagem do governo.
Nos bastidores, aliados avaliam que a postura do presidente pode ser utilizada como argumento político em meio ao cenário eleitoral, reforçando o discurso de que não houve proteção diante de suspeitas.
Ainda assim, a investigação segue cercada de incertezas, e o avanço ou não de novas revelações pode definir o tamanho do impacto no governo.
No meio desse cenário delicado, o episódio escancara como crises políticas raramente ficam restritas aos gabinetes. Elas atravessam relações pessoais, colocam reputações à prova e expõem, diante do país, o quanto decisões e suspeitas podem reverberar muito além dos autos, afetando não apenas governos, mas a confiança de toda uma sociedade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBN – Globo












