Carlos Viana afirma que Polícia Legislativa deve apurar exposição de dados sigilosos de Vorcaro.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, admitiu nesta terça-feira (17) que houve tentativas de vazamento de informações sigilosas armazenadas na sala-cofre da comissão e defendeu a abertura de investigação para apurar responsabilidades.
Segundo ele, a apuração ficará a cargo da Polícia Legislativa, diante de indícios de que dados sensíveis do ex-banqueiro Daniel Vorcaro possam ter sido acessados ou expostos de forma irregular.
“Infelizmente, existiram tentativas e vazamentos de algumas informações que deveriam permanecer apenas no âmbito da investigação”, afirmou o senador.
Medida para proteger provas
A declaração ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinar o fechamento da sala-cofre, diante das suspeitas de uso de equipamentos clandestinos, como câmeras escondidas, mesmo com regras rígidas de acesso.
Para Viana, a decisão foi necessária para preservar a validade das provas reunidas até agora.
“Essa é uma decisão que protege a investigação, protege a prova e protege o resultado que o Brasil espera”, declarou.
A preocupação é que eventuais irregularidades no manuseio do material possam abrir brechas para questionamentos jurídicos e até anulação de provas em uma futura condenação.
Reunião e possível devolução do material
O senador informou que convocou uma reunião com a Advocacia do Senado para discutir o cumprimento da decisão judicial e avaliar um pedido ao gabinete de Mendonça sobre o prazo para devolução dos dados à comissão.
Segundo ele, antes disso, será necessário filtrar conteúdos de caráter estritamente pessoal que não tenham relação direta com a investigação.
“Primeiro, nós temos que seguir as regras. E, ao mesmo tempo, fazemos um questionamento sobre quando esse material será devolvido, assim que as informações privadas forem retiradas”, explicou.
Nova fase da operação
Paralelamente, a Polícia Federal deflagrou, em conjunto com a Controladoria-Geral da União, uma nova fase da operação “Sem Desconto”, que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A ação foi autorizada por Mendonça e resultou no cumprimento de dois mandados de prisão, incluindo o de Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados, e do empresário Natjo de Lima Pinheiro.
A deputada Maria Gorete Pereira também foi alvo da operação. Ela deverá usar tornozeleira eletrônica e cumprir recolhimento domiciliar.
O avanço das investigações e os episódios envolvendo a sala-cofre ampliam a tensão em torno do caso Master, que já mobiliza diferentes esferas de poder e levanta questionamentos sobre segurança, sigilo e condução de provas em investigações sensíveis.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução/CNN












