Mensagens indicam possível estratégia envolvendo bens de alto valor, incluindo mansão em Miami
A Polícia Federal investiga se o ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria ocultado patrimônio ao supostamente transferir bens para a então noiva, Martha Graeff, além de estruturar ativos por meio de um trust no exterior.
As suspeitas fazem parte das apurações do caso envolvendo o Banco Master e se baseiam em conversas entre os dois, obtidas pelos investigadores. Os diálogos indicam que a abertura de um trust: mecanismo jurídico comum para gestão e proteção de patrimônio, teria ocorrido ainda durante o período em que Vorcaro já era alvo de investigações.
Conversas levantam suspeitas
Em mensagens trocadas em dezembro de 2024, Martha questiona o motivo de estarem solicitando seu passaporte. Vorcaro responde que seria necessário “para abrir o trust”. Meses depois, ela volta a demonstrar dúvidas e insegurança sobre o tema, afirmando que nunca teve bens em seu nome e buscava entender melhor a situação.
Segundo a investigação, documentos indicariam que Martha apareceria como beneficiária de 100% do patrimônio vinculado ao trust.
Para a Polícia Federal, o contexto levanta a hipótese de que bens possam ter sido transferidos para evitar eventuais bloqueios judiciais, à medida que as investigações avançavam.
Defesa nega irregularidades
Em nota, o advogado de Martha Graeff afirmou que ela não possui imóveis, veículos ou valores provenientes da relação com Vorcaro. A defesa também declarou que a empresária desconhece a existência de qualquer trust em seu nome, seja nos Estados Unidos ou em outro país, e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Além disso, manifestou inconformismo com a exposição de aspectos da vida privada da cliente.
A defesa de Vorcaro não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.
Mansão milionária e “plano” para ocultação
Outro ponto investigado envolve a possível compra de uma mansão avaliada em cerca de R$ 450 milhões em Miami. Em uma das conversas, Martha questiona se a aquisição não traria exposição excessiva.
Vorcaro responde que já teria “bolado um jeito” de evitar a identificação, mencionando que o imóvel poderia aparecer em nome de um suposto “amigo russo”.
A Polícia Federal considera o diálogo relevante para apurar se houve tentativa deliberada de ocultação de patrimônio no exterior.
Empresa e possíveis repasses
As investigações também analisam a relação entre Vorcaro e uma empresa ligada a Martha, chamada “Happy Aging”. Em mensagens, ela menciona reuniões para apresentar o projeto e, posteriormente, agradece ao ex-banqueiro pelo apoio à iniciativa.
Até o momento, não há confirmação de que ele tenha investido no negócio.
Convocação na CPMI
Diante dos indícios, a comissão parlamentar de inquérito que investiga o caso aprovou a convocação de Martha Graeff para prestar depoimento. A oitiva ainda não tem data definida.
O material segue sob análise da Polícia Federal, que tenta esclarecer se houve, de fato, transferência de patrimônio com o objetivo de driblar medidas judiciais, o que pode agravar ainda mais a situação do ex-banqueiro no caso Master.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Revista Oeste












