Ex-governador do Rio deixa o cargo na véspera da análise, mas segue no centro de processo que investiga abuso de poder nas eleições de 2022.
A cena política do Rio de Janeiro amanheceu marcada por incertezas e tensão nesta terça-feira, 24 de março. Às vésperas de um julgamento decisivo, Cláudio Castro anunciou sua renúncia ao governo, mas nem mesmo a saída do cargo foi suficiente para afastar o peso das acusações que agora colocam em risco seu futuro político.
O Tribunal Superior Eleitoral retoma hoje a análise do caso que pode tornar o ex-governador inelegível até 2030. A decisão tem potencial para mudar completamente os rumos de sua trajetória, especialmente diante da possibilidade de disputar uma vaga no Senado ainda neste ano.
Renúncia não interrompe julgamento
Cláudio Castro deixou o cargo na segunda-feira, 23 de março, afirmando, em entrevista no Palácio Guanabara, que sai “de cabeça erguida”. Apesar do gesto, a renúncia não interfere no andamento do processo no TSE.
Isso porque o julgamento não trata apenas do exercício do mandato, mas da legalidade das eleições de 2022 e de possíveis punições individuais, como a suspensão dos direitos políticos. Ou seja, mesmo fora do governo, Castro ainda pode ser diretamente atingido pela decisão da Corte.
Placar parcial aponta para condenação
O julgamento teve início no dia 10 de março, mas foi interrompido após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques. Até o momento, o placar está em 2 a 0 pela condenação.
A relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, e o ministro António Carlos Ferreira já votaram favoravelmente à punição, sinalizando um cenário delicado para o ex-governador.
Acusações envolvem uso da máquina pública
O processo reúne recursos do Ministério Público Eleitoral, que aponta indícios de abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2022.
Segundo a acusação, estruturas do governo estadual teriam sido utilizadas de forma irregular para favorecer a candidatura. Entre os pontos investigados está o suposto uso da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro para contratação de cabos eleitorais com recursos públicos.
Outros nomes também estão na mira
Além de Cláudio Castro, o caso também envolve outras figuras importantes da política fluminense. O presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, e o vice-governador Thiago Pampolha também são investigados.
Caso haja condenação, eles podem perder seus cargos e se tornar inelegíveis, ampliando ainda mais o impacto político da decisão.
Um julgamento que pode redefinir caminhos
A retomada do julgamento no dia 24 de março não é apenas mais um capítulo jurídico. É um momento que carrega consequências profundas para o cenário político do Rio de Janeiro e para o debate sobre o uso da máquina pública em períodos eleitorais.
No fim das contas, mais do que decidir o futuro de um político, o TSE será chamado a reafirmar um princípio essencial da democracia: o de que o poder deve servir à população e jamais ser utilizado como ferramenta de vantagem eleitoral.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Brasil













