Estado ficou fora de proposta federal anunciada em 2 de abril e pode sentir impacto direto no preço do combustível.
Em um momento em que o preço dos combustíveis pressiona o dia a dia da população, decisões políticas ganham reflexo imediato na vida de quem depende do transporte para trabalhar, produzir e viver. Em Rondônia, a escolha de ficar fora de uma medida emergencial do governo federal acende um alerta sobre possíveis aumentos no diesel nas próximas semanas.
O governo do estado, liderado por Marcos Rocha, decidiu não aderir à proposta apresentada pelo Ministério da Fazenda para subsidiar a importação de diesel. O modelo prevê uma subvenção de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, sendo metade bancada pela União e a outra metade pelos estados.
Proposta busca conter alta do combustível
A iniciativa federal surge como tentativa de frear o avanço do preço do diesel, impulsionado principalmente pela instabilidade no mercado internacional de petróleo, agravada pela guerra no Oriente Médio.
Segundo o plano, a ajuda financeira seria direcionada ao diesel importado por um período de dois meses, como forma de aliviar a pressão sobre os preços internos sem exigir, neste momento, mudanças no ICMS.
Rondônia pode sentir impacto mais forte
Com a decisão de não aderir à proposta, Rondônia se junta a um grupo minoritário de estados que podem enfrentar aumentos mais intensos no preço do combustível. O próprio Ministério da Fazenda já alertou que a não participação pode resultar em reajustes maiores nessas regiões.
A preocupação é ampliada pelo papel estratégico do diesel na economia. O combustível é essencial para o transporte de cargas, o agronegócio e a logística, setores que sustentam boa parte da atividade econômica no estado.
Debate envolve arrecadação e eficácia da medida
A proposta atual substitui uma ideia anterior que previa zerar o ICMS sobre a importação de diesel. Esse modelo foi rejeitado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, que apontou risco de perda de arrecadação e dúvidas sobre a efetividade da redução de preços ao consumidor.
Diante disso, o governo federal optou pelo subsídio direto, mesmo sem consenso entre os estados, e deve formalizar a medida por meio de uma ação provisória.
No fim das contas, a decisão de Rondônia não é apenas técnica ou política: ela toca diretamente o cotidiano da população. Porque, quando o diesel sobe, o impacto não fica restrito às bombas de combustível. Ele chega ao preço dos alimentos, ao custo do transporte e à rotina de quem depende da economia girando. E é nesse efeito silencioso, mas profundo, que escolhas como essa mostram seu verdadeiro peso.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução












