Prazo encerrado na sexta-feira (3) movimentou mais de 20% da Câmara e antecipou articulações para a próxima disputa eleitoral
A corrida eleitoral de 2026 já começou e não apenas nos discursos ou bastidores. Ela ganhou forma concreta na última sexta-feira (3), quando se encerrou a janela partidária, período que permite a troca de partidos sem risco de perda de mandato. O resultado foi um verdadeiro redesenho político, com dezenas de parlamentares mudando de legenda e sinalizando, desde já, os caminhos que pretendem seguir nas próximas eleições.
Na Câmara dos Deputados do Brasil, o impacto foi expressivo: mais de 20% dos parlamentares trocaram de partido. Levantamento aponta ao menos 128 movimentações entre deputados titulares até sábado (4), número que ainda pode crescer com a formalização de algumas filiações.
Movimentações estratégicas para 2026
Entre os nomes mais conhecidos, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, já de olho em uma possível disputa à Presidência da República. O movimento foi acompanhado pelo governador de Rondônia, Marcos Rocha, que também migrou para o PSD.
Outro nome de peso, Ciro Gomes, encerrou um ciclo iniciado em 2015 no PDT e se filiou ao PSDB, com foco na disputa pelo governo do Ceará.
Trocas no Senado e articulações nacionais
No Senado, as mudanças também chamaram atenção. Rodrigo Pacheco deixou o PSD e se filiou ao PSB, sendo apontado como possível candidato ao governo de Minas Gerais com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Já o senador Sergio Moro migrou para o PL, acompanhado de sua esposa, a deputada Rosangela Moro, ambos deixando o União Brasil. A senadora Soraya Thronicke também mudou de partido, saindo do Podemos e se filiando ao PSB no último dia da janela, na sexta-feira (3).
Outro destaque é a ministra Simone Tebet, que teve trajetória recente ligada ao MDB e segue sendo peça relevante nas articulações nacionais.
Estados também entram no jogo político
As movimentações não se limitaram ao cenário federal. Em São Paulo, o vice-governador Felício Ramuth deixou o PSD e se filiou ao MDB, acompanhando a reorganização da base do governador Tarcísio de Freitas.
Já Guilherme Derrite, ligado à segurança pública paulista, migrou do PL para o PP, mirando a disputa ao Senado. Em Minas Gerais, Mateus Simões deixou o Novo e se filiou ao PSD, alterando o equilíbrio político no estado.
Lista extensa de mudanças no Legislativo
Além dos nomes mais conhecidos, a janela partidária também registrou uma série de trocas entre deputados e lideranças políticas, refletindo um movimento amplo de reposicionamento estratégico.
Entre eles estão André Janones, Duda Salabert, Kim Kataguiri, Luizianne Lins e Túlio Gadêlha, entre outros que ajustaram suas posições partidárias de olho no novo cenário eleitoral.
O que está por trás das mudanças
A janela partidária é um dos momentos mais estratégicos da política brasileira. Para cargos proporcionais, como deputados, ela representa a única oportunidade de mudança sem sanções. Já para cargos majoritários, como presidente, governadores e senadores, a troca pode ocorrer a qualquer momento, desde que respeitado o prazo mínimo de filiação antes da eleição.
Mais do que simples trocas de sigla, essas movimentações revelam alianças em construção, disputas internas e a tentativa de fortalecimento político em um cenário que já começa a se desenhar com intensidade.
No fim, o que se viu até agora é apenas o começo de uma engrenagem que deve girar cada vez mais rápido até 2026. E, enquanto partidos se reorganizam e lideranças buscam espaço, fica evidente que o eleitor será, mais uma vez, chamado a decifrar um tabuleiro político em constante transformação, onde cada movimento pode mudar completamente o rumo da história.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Nelson Jr/Ascom/TSE













