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Sigilo no caso Master vira centro de tensão: BC defende regra e nega ligações com Moraes

Em depoimento nesta quarta – feira (08), presidente do Banco Central afirma que documentos ficarão sob sigilo até 2033 e reforça que decisões seguiram critérios técnicos em meio à investigação.

Em meio a um dos casos mais sensíveis do momento, onde política, economia e Justiça se entrelaçam, o debate sobre transparência e responsabilidade ganha novos contornos. Mais do que uma questão técnica, o sigilo envolvendo o Banco Master expõe o delicado equilíbrio entre proteger o sistema financeiro e garantir o direito à informação.

Durante depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (08), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as regras que determinam o sigilo sobre o caso não podem ser flexibilizadas. Segundo ele, a decisão segue normas estabelecidas desde 2018 e tem como objetivo evitar questionamentos judiciais futuros.

Sigilo até 2033 é baseado em regra técnica

Galípolo explicou que o Banco Central adota prazos distintos de sigilo para instituições financeiras, podendo chegar a dez anos para bancos maiores e oito anos para menores. No caso do Banco Master, a classificação determina que os documentos permaneçam sob sigilo até novembro de 2033.

De acordo com o dirigente, mudar essa regra durante o andamento do processo seria algo complexo e poderia abrir margem para questionamentos sobre a legitimidade da decisão. Ele destacou que todas as resoluções desde 2018 seguiram o mesmo padrão.

O Banco Central argumenta ainda que a divulgação das informações poderia comprometer a estabilidade financeira, econômica e monetária do país, além de interferir em atividades de investigação e fiscalização em andamento.

Reuniões com Moraes e negação de ligações

Durante o depoimento, Galípolo também comentou sobre sua relação com o ministro Alexandre de Moraes. Ele afirmou que manteve reuniões presenciais com o magistrado, mas negou ter recebido ligações telefônicas.

Segundo o presidente do BC, os encontros ocorreram no gabinete de Moraes e trataram de temas relacionados à chamada Lei Magnitsky, legislação dos Estados Unidos utilizada em 2025 para impor sanções ao ministro.

Galípolo destacou que todas as interações foram institucionais e cordiais, e afirmou que não teve contato com Viviane Barci de Moraes além de situações sociais.

Reunião com Lula e orientação técnica

O presidente do Banco Central também confirmou ter participado de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo ele, recebeu orientação para atuar com total autonomia técnica, sem interferências políticas. A recomendação, de acordo com Galípolo, foi clara: conduzir o processo com rigor, mas sem criar espetáculos.

CPI se aproxima do fim em meio a pressões

A CPI do Crime Organizado, que investiga o caso, tem prazo de funcionamento até o dia 14 de abril de 2026. Apesar de pressões para prorrogação, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, já sinalizou que não deve estender os trabalhos.

O relator da comissão, Alessandro Vieira, também indicou que o calendário eleitoral foi usado como justificativa para encerrar as atividades.

No meio de prazos apertados, decisões técnicas e suspeitas que ainda pedem respostas, o caso Master segue como um retrato do Brasil atual: complexo, sensível e cercado de expectativas. No fim, permanece uma inquietação silenciosa que atravessa instituições e cidadãos, a de saber até que ponto o equilíbrio entre sigilo e transparência consegue sustentar a confiança que o país tanto precisa.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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