Ex-presidente diz que jamais aconselhou o magistrado e classifica o caso Master como “desastroso” para o ambiente institucional e político do país.
Em meio às tensões que permeiam os bastidores do poder em Brasília, o ex-presidente Michel Temer afirmou que nunca orientou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre a condução do caso Master. A declaração, concedida à CNN nesta sexta-feira (10), reforça a autonomia do Judiciário em meio a um cenário de forte repercussão política e institucional.
Segundo Temer, o magistrado possui independência e toma suas decisões com base em critérios próprios. “Nenhuma orientação eu dei a ele porque eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria”, afirmou.
Autonomia do Judiciário em destaque
A fala do ex-presidente ocorre em um momento de intenso debate público sobre a atuação de Moraes no julgamento do caso Master. Temer destacou sua confiança na postura do ministro e reiterou que jamais tentou influenciar suas decisões.
“As eventuais sugestões do presidente da República, o Alexandre pode ouvi-las, mas eu tenho absoluta convicção de que a decisão é exclusivamente dele. Não será uma ou outra afirmação, uma ou outra sugestão, uma ou outra orientação que ele receba. Ele saberá o que fazer”, declarou.
O posicionamento reforça o princípio da separação entre os Poderes, um dos pilares da democracia brasileira.
Declarações ocorrem após fala de Lula
As declarações de Temer surgem na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado com Moraes, aconselhando-o a se declarar impedido no julgamento do caso. A sugestão ocorreu em meio à pressão sobre o ministro devido à atuação de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, na defesa do banco comandado pelo empresário Daniel Vorcaro.
O episódio ampliou o debate sobre ética, transparência e a necessidade de preservar a credibilidade das instituições.
Caso Master e seus reflexos políticos
Durante a entrevista, Temer classificou o caso envolvendo o Banco Master como prejudicial ao país. Para o ex-presidente, a controvérsia tem impacto direto no ambiente político e institucional, especialmente em um momento de formação de alianças e pré-campanhas eleitorais.
“Está sendo desastrosa essa questão do Banco Master. No presente momento, o que eu posso dizer é que não está sendo bom para as campanhas políticas e para o quadro institucional geral no país”, avaliou.
Repercussão e cenário institucional
As declarações reforçam a sensibilidade do tema e a necessidade de cautela diante de episódios que envolvem figuras centrais dos Poderes da República. O caso Master permanece sob análise e continua a provocar debates sobre governança, responsabilidade institucional e estabilidade política.
Em um cenário marcado por tensões e disputas, a defesa da independência das instituições surge como elemento essencial para a preservação da democracia. Mais do que embates políticos, episódios como esse convidam à reflexão sobre a importância do equilíbrio entre os Poderes e da confiança da sociedade na Justiça brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













