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Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos Estados Unidos após condenação a 16 anos por tentativa de golpe

Ex-deputado e ex-diretor da Abin foi detido nesta segunda-feira (13), nos EUA, após decisão do STF; caso envolve pedido de asilo, fuga do Brasil e possível extradição.

A prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, nesta segunda-feira, 13 de abril, nos Estados Unidos, reacendeu debates sobre justiça, democracia e os desdobramentos dos atos que marcaram a recente história política do Brasil. O caso, cercado de tensão e repercussão internacional, coloca em evidência os limites da lei e os impactos de decisões que ultrapassam fronteiras.

Detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal por tentativa de golpe de Estado. A informação foi confirmada à CNN Brasil pela Polícia Federal e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Prisão e desdobramentos internacionais

Segundo a Polícia Federal, o ex-parlamentar estava foragido desde que deixou o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana. Ainda não há confirmação sobre um eventual pedido de extradição, embora o nome de Ramagem já conste no sistema do ICE.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou ter tomado conhecimento da prisão pela imprensa e declarou que acompanhará os desdobramentos do caso.

“Acompanharemos com máxima atenção cada desdobramento deste caso, que ultrapassa uma situação individual e toca diretamente no respeito às garantias e à atuação de um parlamentar eleito pelo povo brasileiro”, disse em nota.

Já o empresário e influenciador Paulo Figueiredo informou que Ramagem estava em Orlando, na Flórida, e teria sido inicialmente abordado por uma infração de trânsito. Segundo ele, o ex-deputado possui status legal no país e um pedido de asilo em análise.

Condenação e fuga do Brasil

O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência foi condenado em 11 de setembro do ano passado pela Primeira Turma do STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. A decisão atendeu à denúncia da Procuradoria-Geral da República.

De acordo com a Procuradoria, Ramagem atuou como um dos principais responsáveis por subsidiar o ex-presidente Jair Bolsonaro com ataques ao sistema eleitoral. As investigações apontaram que ele registrava orientações repassadas ao então chefe do Executivo, contribuindo para a estruturação de um plano golpista.

Ainda segundo a PGR, os ataques ao sistema eleitoral intensificados a partir de 2021 representavam a primeira etapa de uma tentativa de permanência no poder “com desprezo às estruturas constitucionais”.

Uso da Abin e acusações

Pela decisão do STF, Ramagem integrou uma organização criminosa e utilizou a estrutura da Abin para vigiar adversários políticos e auxiliar ataques ao sistema eleitoral. A Corte havia determinado que ele não deixasse o país e entregasse o passaporte, o que não foi cumprido.

Foram atribuídos ao ex-deputado os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Investigação e ordem de prisão

Embora o julgamento tenha sido concluído em setembro do ano passado, ainda cabiam recursos até meados de novembro. Foi nesse período que Ramagem deixou o país rumo aos Estados Unidos.

A prisão preventiva foi decretada em 19 de novembro pelo ministro Alexandre de Moraes, logo após a divulgação de que ele estava em Miami. Dias depois, a Polícia Federal informou que solicitaria a inclusão do nome do ex-parlamentar na Difusão Vermelha da Interpol, tornando-o foragido internacional em 196 países.

Um caso que ecoa além das fronteiras

A detenção de Alexandre Ramagem transcende a esfera individual e se consolida como um capítulo emblemático da história recente do Brasil. Entre decisões judiciais, tensões políticas e repercussões internacionais, o episódio convida à reflexão sobre a força das instituições democráticas e a responsabilidade de cada agente público. Mais do que um desfecho judicial, trata-se de um momento que reafirma a importância da justiça, da memória e do compromisso com o Estado de Direito.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/TV Justiça

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