Parecer apresentado nesta terça – feira (14) pede o indiciamento do procurador-geral da República e será analisado pelo colegiado do Senado.
Em meio a um dos episódios mais sensíveis do cenário político e jurídico brasileiro, o relatório final da CPI do Crime Organizado lança novas luzes sobre o caso Banco Master. Divulgado na madrugada desta terça-feira (14) o documento acusa o procurador-geral da República de inércia diante de indícios considerados graves, intensificando o debate sobre responsabilidade institucional e o papel das autoridades na defesa da legalidade.
Elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o parecer aponta uma suposta “omissão total” do procurador-geral Paulo Gonet no caso envolvendo o Banco Master. O relatório também solicita o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e ainda será analisado pelo colegiado da comissão nesta terça-feira.
Acusação de omissão institucional
De acordo com o documento, a ausência de providências por parte da Procuradoria-Geral da República extrapolaria os limites da discricionariedade do cargo. O texto afirma que o silêncio institucional diante de indícios públicos e robustos pode configurar crime de responsabilidade.
Segundo o relator, a conduta estaria tipificada na Lei nº 1.079, de 1950, que trata dos crimes de responsabilidade cometidos por autoridades públicas. O parecer sustenta que a inação, diante de evidências consideradas consistentes, poderia caracterizar desídia no cumprimento das atribuições constitucionais.
Base legal e fundamentos do relatório
O senador argumenta que a legislação prevê responsabilização quando o agente público deixa de agir de forma evidente no exercício de suas funções. Conforme o documento, a omissão do procurador-geral, diante de fatos amplamente divulgados, não se enquadraria como mero exercício legítimo de discricionariedade.
O texto destaca que, quando os indícios são robustos, públicos e documentados, a ausência de ação pode ser interpretada como incompatível com o dever funcional previsto na Constituição.
Elementos citados no Caso Master
Para fundamentar suas conclusões, o relatório elenca fatos que, segundo o relator, justificariam a adoção de medidas por parte da Procuradoria-Geral da República:
- Relatório da Polícia Federal entregue ao ministro Edson Fachin em 9 de fevereiro de 2026, mencionando relações sob investigação;
- Reportagens sobre contrato do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master;
- Notícias sobre interlocuções junto ao Banco Central relacionadas ao processo regulatório da instituição;
- Resultados de operações da Polícia Federal, incluindo a prisão de investigados, como Fabiano Zettel.
De acordo com o senador, a convergência desses elementos tornaria injustificável a ausência de providências por parte da chefia do Ministério Público Federal.
Comparação com a atuação da Polícia Federal
O relatório também traça um paralelo entre a atuação da Polícia Federal e a da Procuradoria-Geral da República. Segundo o documento, a PF produziu relatórios, deflagrou operações e realizou prisões, evidenciando diligência investigativa.
Na avaliação do relator, essa atuação contrastaria com a suposta inércia do órgão responsável pela promoção da ação penal perante o Supremo Tribunal Federal.
Próximos passos da CPI
O parecer será analisado e votado pelos integrantes da CPI do Crime Organizado. Caso aprovado, poderá ser encaminhado às autoridades competentes para as providências cabíveis.
Independentemente do desfecho, o relatório amplia o debate sobre transparência, responsabilidade institucional e o papel das autoridades na defesa do Estado Democrático de Direito.
Em um momento de intensos questionamentos e expectativas, o caso convida à reflexão sobre a importância da verdade, da justiça e da integridade das instituições. Mais do que uma disputa política, trata-se de reafirmar os pilares que sustentam a democracia e a confiança da sociedade brasileira.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Gustavo Moreno/STF













