Presidente realiza cauterização de queratose no couro cabeludo e infiltração no punho para tratar tendinite; histórico recente inclui cirurgia no crânio, exames de rotina e tratamento no quadril.
Cuidar da saúde, mesmo quando se ocupa o cargo mais alto do país, continua sendo um lembrete de que todos somos humanos. Nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu entrada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para realizar dois procedimentos médicos considerados simples, mas que chamam atenção pelo histórico recente de cuidados com sua saúde.
Lula passou por uma cauterização de uma queratose, um acúmulo de pele localizado na cabeça, além de uma infiltração no punho para tratar uma tendinite no polegar direito. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, os procedimentos foram realizados ainda pela manhã e a previsão é de alta hospitalar no mesmo dia, sem necessidade de repouso pós-cirúrgico.
Procedimentos simples e agenda esvaziada
Acompanhado pelo cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho, o presidente teve a agenda oficial desta sexta-feira completamente esvaziada para a realização dos tratamentos. De acordo com a assessoria de imprensa, não houve necessidade de preparo prévio para os procedimentos.
Lula chegou a São Paulo na noite de quinta-feira, 23 de abril, e ainda não há confirmação oficial sobre seu retorno a Brasília, podendo acontecer no domingo, 26 de abril, ou na segunda-feira, 27 de abril.
A cauterização foi indicada para tratar uma queratose no couro cabeludo, condição que já havia levado o presidente a outro procedimento semelhante em 11 de fevereiro de 2026, quando também passou por remoção de uma lesão que causava desconforto.
O que é a queratose e quando ela preocupa
A queratose é uma alteração na camada mais superficial da pele, chamada camada córnea, podendo apresentar aspecto escamoso ou verrucoso. Existem três tipos principais: actínica, seborreica e folicular.
A queratose actínica é a que mais preocupa especialistas por poder evoluir para câncer de pele. Ela surge principalmente em áreas com maior exposição solar, como rosto, orelhas, couro cabeludo, mãos e antebraços.
Segundo a dermatologista Ana Carolina Sumam, esse tipo está diretamente ligado à exposição solar acumulada ao longo da vida. Pessoas de pele clara, com cabelos loiros ou avermelhados e olhos claros costumam ter maior propensão ao desenvolvimento dessas lesões.
Já a queratose seborreica é considerada benigna, geralmente associada a fatores genéticos, e costuma surgir na face e no tronco com aparência verrucosa e coloração mais escura.
A queratose folicular, também chamada queratose pilar, aparece como pequenas manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, especialmente nos braços, pernas, nádegas e bochechas, deixando a pele com aspecto áspero e seco.
Sintomas mais comuns
Entre os principais sinais da queratose pilar estão pequenas elevações indolores, pele seca e áspera nas regiões afetadas, piora em períodos de clima seco e sensação de pele semelhante a uma lixa ao toque.
Embora muitas vezes não represente gravidade, o acompanhamento médico é importante para identificar corretamente o tipo da lesão e definir o melhor tratamento.
Tratamentos variam conforme o tipo
Nos casos de queratose seborreica, por serem lesões benignas, muitas vezes não há necessidade de tratamento, a não ser quando causam desconforto ou coceira. Quando indicado, o procedimento pode ser feito por crioterapia, eletroterapia ou cauterização química, método utilizado no caso do presidente.
A queratose pilar costuma ser tratada com hidratação adequada da pele e uso de agentes ceratolíticos, como o ácido salicílico.
Já a queratose actínica exige maior atenção por ser considerada pré-maligna. O tratamento pode incluir crioterapia com nitrogênio líquido, curetagem, eletrocoagulação, cremes específicos como 5-fluorouracil e imiquimode, além de cirurgia em casos com suspeita de evolução para câncer.
Relembre as principais idas de Lula ao hospital no terceiro mandato
Ao longo do terceiro mandato presidencial, Lula precisou passar por diferentes acompanhamentos médicos e procedimentos.
Em 8 de março de 2026, ele esteve no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para realizar seu check-up anual, com exames dentro da normalidade.
Em 11 de fevereiro de 2026, foi submetido à cauterização de uma queratose no couro cabeludo.
Em 26 de maio de 2025, sentiu um mal-estar e foi atendido no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, onde foi diagnosticado com labirintite após um quadro de vertigem. No dia seguinte, 27 de maio, passou por nova avaliação médica.
Em 20 de fevereiro de 2025, realizou exames de rotina em São Paulo.
Em 9 de dezembro de 2024, foi internado para uma cirurgia no crânio após a formação de um hematoma decorrente de uma queda sofrida em 19 de outubro de 2024, quando escorregou no banheiro do Palácio da Alvorada e precisou levar cinco pontos na cabeça.
Em 29 de setembro de 2023, Lula passou por uma cirurgia no quadril direito para tratar uma artrose que já provocava dores há mais de um ano. Durante a mesma internação, também realizou um procedimento nas pálpebras.
Antes disso, em 23 de julho de 2023, o presidente já havia feito uma infiltração no quadril como parte do tratamento da mesma condição.
Além disso, Lula mantém acompanhamento frequente da laringe, especialmente após o diagnóstico de câncer na região em outubro de 2011, quando foi identificado um tumor de aproximadamente três centímetros e iniciado o tratamento quimioterápico, concluído em fevereiro de 2012.
No fim das contas, por trás da figura política e da rotina intensa do Palácio do Planalto, permanece um homem que também enfrenta dores, limitações e cuidados que fazem parte da vida de qualquer pessoa. A saúde de um presidente impacta diretamente a condução de um país, mas também nos lembra que fragilidade e força, muitas vezes, caminham lado a lado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBN – Globo













