Abel Ferreira critica suspensão imposta pelo STJD, prevê ano difícil dentro e fora de campo e pede união da torcida palmeirense após vitória sobre o Jacuipense pela Copa do Brasil.
No futebol, nem sempre o apito final encerra a tensão. Às vezes, ela continua fora das quatro linhas, nos tribunais, nos bastidores e nas palavras que carregam mais peso que um resultado em campo. Foi nesse tom que Abel Ferreira abriu o coração após a vitória do Palmeiras sobre o Jacuipense, na quinta-feira (23), no Allianz Parque, e fez um forte desabafo sobre a punição sofrida no Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
O treinador português, suspenso por sete jogos no Campeonato Brasileiro, afirmou se sentir alvo de um tratamento desigual e disparou: “Parece que no futebol brasileiro se pode ser tudo, menos Abel”.
Suspensão e indignação com decisão do STJD
A punição aplicada ao técnico foi motivada por expulsões ocorridas nos confrontos contra Fluminense e São Paulo, ambos pelo Campeonato Brasileiro.
No primeiro julgamento, a pena foi reduzida de duas para uma partida. Já no segundo caso, a suspensão foi mantida em seis jogos, totalizando sete partidas fora da área técnica. Até agora, Abel já cumpriu quatro compromissos.
Mesmo suspenso no Brasileirão, o treinador voltou a campo e reencontrou a torcida palmeirense na vitória por 3 a 0 sobre o Jacuipense, pela quinta fase da Copa do Brasil, resultado que deixou o time em situação confortável na competição.
“Tenho de mudar eu”, afirma treinador
Ao ser questionado sobre a condenação, Abel evitou entrar em confronto direto, mas deixou claro seu incômodo com a condução das decisões.
“Eu não preciso explicar, vocês [jornalistas] é que têm de ver as imagens. Está muito claro para quem quiser ver”, iniciou.
Em seguida, o técnico afirmou que situações semelhantes seguem acontecendo no futebol brasileiro e que, se estivesse em determinadas partidas recentes, seria novamente expulso.
“Ontem vi um jogo na televisão. Se eu fosse o técnico daquela equipe, seria expulso mais uma vez, porque há decisões que não se compreendem, como ver coisas acontecerem que interferem no trabalho. Foi a única razão pela qual fui expulso, mas isso faz pensar. Há coisas que não posso mudar, então tenho de mudar eu”, declarou.
O retorno de Abel Ferreira ao Campeonato Brasileiro está previsto para o dia 17 de maio, no confronto da 16ª rodada contra o Cruzeiro, comandado pelo também português Artur Jorge.
Pedido de união e alerta para um ano difícil
Além da crítica à punição, o comandante aproveitou o momento para fazer um apelo direto à torcida palmeirense e às mídias ligadas ao clube.
Segundo ele, o Palmeiras enfrentará uma temporada complicada não apenas dentro de campo, mas também nos bastidores.
“Se me permite uma palavra para os nossos torcedores e para as mídias palestrinas, estou a sentir o que nunca senti. Precisamos estar todos unidos em busca de um espírito de união contra tudo e contra todos. O que nós vimos do outro lado é para ser dito, em busca da verdade, em busca da igualdade porque prevejo um ano extremamente difícil dentro e fora de campo”, afirmou.
A fala reforça o sentimento de insatisfação que também é compartilhado pela diretoria e pela comissão técnica.
Protesto silencioso nos bastidores
Como forma de protesto, membros da comissão técnica do Palmeiras deixaram de conceder entrevistas coletivas após as partidas recentes.
Nos bastidores, auxiliares e dirigentes entendem que o clube foi alvo de uma injustiça por parte dos tribunais desportivos e veem a punição como excessiva.
Mais do que uma suspensão, Abel parece enxergar uma batalha de narrativa e respeito. No futebol brasileiro, onde cada gesto é observado e cada palavra reverbera, o técnico português transforma sua indignação em combustível. E quando ele fala em “contra tudo e contra todos”, não é apenas um discurso de vestiário: é um recado claro de quem acredita que a disputa vai muito além do gramado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Cesar Greco/Palmeiras













