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Messias indica que seguirá decisão de Lula após derrota no STF, enquanto ação tenta anular votação no Senado

Após rejeição inédita em mais de um século, aliado de confiança do presidente admite deixar AGU e até assumir outro ministério; processo no Supremo questiona legalidade do resultado.

A política, às vezes, expõe suas feridas mais profundas em silêncio. E foi nesse clima de frustração e incerteza que Jorge Messias, até então nome de confiança do governo, se viu diante de uma derrota histórica que ainda reverbera nos bastidores de Brasília. Após não conseguir aprovação para o Supremo Tribunal Federal, ele agora aguarda, com discrição e lealdade, o próximo movimento de Luiz Inácio Lula da Silva.

O atual advogado-geral da União sinalizou a aliados que está disposto a atender qualquer pedido do presidente para continuar no governo. Mesmo abalado com o revés no Senado, Messias mantém a postura de alinhamento ao Planalto e não descarta assumir um novo papel, caso seja essa a vontade de Lula.

Rearranjos no governo e bastidores da crise

Após a rejeição, Messias chegou a dizer que não pretendia permanecer na AGU. No entanto, uma conversa reservada com Lula, na noite de segunda-feira, mudou o tom. O presidente pediu serenidade e indicou que ainda conta com o aliado, embora não tenha formalizado convite para outro cargo.

Nos bastidores, cresce a possibilidade de Messias ser deslocado para o Ministério da Justiça. A pasta hoje está sob comando de Wellington César e Lima, ligado à ala baiana do PT e com apoio do senador Jaques Wagner, que também teve papel importante na articulação da indicação de Messias ao STF.

A avaliação entre interlocutores próximos é de que ele aceitaria a nova missão, caso seja convocado. Ainda assim, o cenário é de indefinição, com Lula medindo os impactos políticos da derrota.

Uma derrota rara e suas consequências políticas

A rejeição de Messias no Senado rompeu um padrão que se mantinha há 132 anos, tornando-se um episódio de forte simbolismo político. O resultado acendeu alertas no governo, que agora debate como reagir.

Entre aliados, há quem defenda uma resposta mais dura, com o rompimento de pontes com o Congresso e até a demissão de nomes ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Por outro lado, uma ala mais cautelosa teme que esse movimento enfraqueça ainda mais o governo e estimule a migração de apoio político para a oposição, incluindo projetos como a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Ação no STF levanta suspeitas sobre votação

Paralelamente à crise política, o caso ganhou um novo capítulo no Judiciário. Uma ação apresentada ao Supremo Tribunal Federal tenta anular a votação que barrou Messias. O processo foi distribuído ao ministro Luiz Fux e questiona a legalidade do resultado.

A iniciativa partiu da Associação Civitas para Cidadania e Cultura, que aponta supostas irregularidades no processo. O principal argumento é de que o resultado teria sido antecipado por Alcolumbre antes da proclamação oficial, ao afirmar que o indicado “vai perder por oito”.

Para a entidade, essa declaração indicaria que o placar já era conhecido previamente, o que comprometeria o caráter sigiloso da votação e levantaria dúvidas sobre sua legitimidade.

Questionamentos sobre sigilo e motivação política

Além da suposta quebra de sigilo, a ação também sustenta que houve desvio de finalidade na decisão do Senado. Segundo a entidade, a rejeição não teria sido baseada em critérios técnicos, mas sim em um veto político ao nome escolhido por Lula.

O argumento ganha força, segundo os autores, pelo fato de que Messias havia sido aprovado anteriormente na Comissão de Constituição e Justiça, o que indicaria que ele atendia aos requisitos formais para o cargo.

Agora, caberá a Luiz Fux decidir se suspende os efeitos da votação e determina uma nova análise pelo Senado. Não há prazo para essa decisão.

No meio desse tabuleiro tenso e imprevisível, fica a imagem de um governo tentando se recompor e de um aliado que, mesmo diante da derrota, escolhe permanecer. Porque, na política, assim como na vida, nem sempre as quedas significam o fim do caminho mas, muitas vezes, o início de uma travessia ainda mais desafiadora.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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