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Ted Turner, fundador da CNN e pioneiro do jornalismo 24 horas, morre aos 87 anos

Empresário revolucionou a forma de informar o mundo e deixou legado que transformou a comunicação global.

Algumas pessoas não apenas acompanham a história, elas mudam a forma como o mundo a enxerga. Foi assim com Ted Turner, que morreu nesta quarta-feira (6), aos 87 anos. Sua partida marca o fim de uma era no jornalismo, mas também reforça a dimensão de um legado que segue vivo em cada notícia transmitida em tempo real ao redor do planeta.

A informação foi confirmada por meio de um comunicado da Turner Enterprises. Visionário e, muitas vezes, controverso, Turner foi o responsável por criar a CNN, a primeira emissora dedicada a notícias 24 horas por dia, uma ideia que, à época, parecia ousada demais, mas que acabaria revolucionando a maneira como o mundo consome informação.

Um império construído com ousadia

Nascido em Ohio e criado em Atlanta, Turner construiu um verdadeiro império midiático. Antes mesmo da CNN, ele já havia transformado uma emissora local em uma superestação de alcance nacional, abrindo caminho para a expansão da televisão a cabo.

Seu alcance foi além das notícias. Ele esteve por trás de canais de entretenimento, investiu em esportes com equipes como o Atlanta Braves e ajudou a moldar a indústria televisiva como ela é conhecida hoje. Sua personalidade direta e sem filtros lhe rendeu o apelido de “A Boca do Sul”, refletindo um estilo que nunca passou despercebido.

Filantropia, meio ambiente e impacto global

Mas reduzir Turner ao empresário seria limitar sua história. Ele também se destacou como filantropo e ativista. Fundou a Fundação das Nações Unidas, defendeu o desarmamento nuclear e se tornou um dos maiores proprietários de terras dos Estados Unidos, com forte atuação ambiental.

Foi dele, inclusive, a iniciativa de apoiar a reintrodução do bisão no oeste americano e de criar o desenho “Capitão Planeta”, voltado à conscientização ambiental de crianças, mostrando que sua influência ultrapassava o campo dos negócios.

Em 1991, foi reconhecido como Homem do Ano pela revista Time, justamente por transformar telespectadores em testemunhas instantâneas da história em mais de 150 países.

Os últimos anos e o legado

Nos últimos anos, Turner enfrentou problemas de saúde. Em 2018, revelou conviver com demência com corpos de Lewy, uma doença degenerativa. Já em 2025, chegou a ser hospitalizado com pneumonia, mas se recuperou.

Mesmo após vender suas empresas para a Time Warner e se afastar dos negócios, ele nunca escondeu o orgulho da CNN, que considerava a maior realização de sua vida.

Turner deixa cinco filhos, 14 netos e dois bisnetos.

A morte de Ted Turner não representa apenas a perda de um empresário, mas de alguém que ousou desafiar o tempo e reinventar a forma como o mundo se conecta com os fatos. Em uma era de informação instantânea, talvez nem sempre percebamos, mas muito do que vemos hoje começou com uma ideia que parecia impossível. E é justamente aí que mora o verdadeiro legado: lembrar que grandes transformações nascem da coragem de enxergar o mundo de um jeito diferente.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Brasil 247

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