Planalto aposta em negociações técnicas para tentar reduzir impacto de tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Em meio a um cenário de tensões comerciais e desafios diplomáticos, o governo brasileiro decidiu adotar uma estratégia mais cautelosa nas relações com os Estados Unidos. Apesar da presença de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na próxima Cúpula do G7, a expectativa é que não haja uma reunião bilateral entre os dois presidentes durante o evento.
A avaliação de integrantes do governo é que, neste momento, não existem condições políticas ou avanços concretos que justifiquem um encontro formal entre os líderes. Ainda assim, um contato informal, como um cumprimento ou breve conversa nos corredores do evento, não está completamente descartado.
Aposta em negociações técnicas
Em vez de investir em uma agenda presidencial, o Palácio do Planalto decidiu concentrar esforços nas negociações conduzidas por um grupo de trabalho formado para tratar das questões comerciais entre os dois países.
A estratégia busca avançar por meio de canais técnicos e diplomáticos, considerados mais adequados neste momento para discutir as medidas anunciadas pelo governo norte-americano e seus impactos sobre a economia brasileira.
À frente dessas tratativas está o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que tem coordenado as conversas em nome do Brasil.
A expectativa é que ele participe, ainda nesta semana, de uma reunião virtual com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, para dar continuidade às negociações.
Tarifaço preocupa governo brasileiro
Um dos principais temas em discussão é a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos após a conclusão de uma investigação comercial conduzida com base na chamada Seção 301 da legislação norte-americana.
O governo brasileiro acredita que ainda há espaço para negociar uma redução da alíquota ou até mesmo um adiamento da entrada em vigor da medida, dependendo da evolução das conversas entre os dois países.
Por outro lado, integrantes do governo admitem que o cenário é mais difícil em relação à tarifa adicional de 12,5% aplicada posteriormente ao Brasil e a outras 59 economias, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
Pouca expectativa sobre mudanças em outras decisões
Além das questões comerciais, o governo também trabalha com expectativas reduzidas em relação a outras decisões recentes adotadas pelos Estados Unidos.
Entre elas está a classificação de facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas. Nos bastidores, a avaliação é de que dificilmente a administração norte-americana voltará atrás nessa decisão.
Enquanto as negociações seguem em curso, o Brasil busca equilibrar diplomacia e pragmatismo diante de um dos seus principais parceiros comerciais. Mais do que uma disputa sobre tarifas, o momento evidencia a importância do diálogo internacional em um cenário global cada vez mais complexo, onde decisões tomadas além das fronteiras podem gerar impactos diretos na economia, nos empregos e na vida de milhões de brasileiros.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Goiás 246













