Entorno do ex-presidente avalia que decisão de Alexandre de Moraes pode evitar novos desgastes políticos e reduzir tensões durante o período eleitoral.
A poucos dias do fim do prazo da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, os bastidores políticos em Brasília já se movimentam em torno de uma decisão que pode influenciar diretamente os rumos do cenário eleitoral. Entre aliados do ex-presidente, cresce a expectativa de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorize a prorrogação da medida humanitária, mantendo Bolsonaro em casa por mais tempo.
A avaliação do grupo mais próximo ao ex-presidente vai além das questões médicas apresentadas pela defesa. Nos bastidores, a percepção é de que a permanência de Bolsonaro em prisão domiciliar representa um cenário de menor desgaste institucional e político do que um eventual retorno ao regime fechado, especialmente em um período marcado pela disputa eleitoral e pela polarização do debate público.
Cálculo político entra na equação
Entre os apoiadores do ex-presidente, existe o entendimento de que uma volta à chamada “Papudinha”, onde Bolsonaro ficou detido antes da concessão da domiciliar em março, poderia reacender a mobilização da militância conservadora e fortalecer politicamente a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Por essa razão, a expectativa é que Alexandre de Moraes considere não apenas os argumentos médicos apresentados pela defesa, mas também os possíveis reflexos políticos de uma eventual mudança no regime de cumprimento da pena.
Defesa aponta quadro de saúde permanente
Na noite de terça-feira (23), os advogados de Bolsonaro protocolaram no STF o pedido de renovação da prisão domiciliar humanitária. O principal argumento é que as condições de saúde do ex-presidente permanecem exigindo acompanhamento constante e especializado.
De acordo com relatório médico anexado ao pedido, embora o quadro clínico apresente estabilidade, as enfermidades que afetam Bolsonaro não foram solucionadas. O documento destaca que, durante o período de prisão domiciliar, ele precisou passar por um procedimento ortopédico para correção de lesões no ombro direito.
Os médicos também apontam a permanência de fatores considerados relevantes, como instabilidade postural, alterações de equilíbrio, risco elevado de quedas, possibilidade de broncoaspiração e necessidade contínua de acompanhamento cardiovascular, respiratório e fisioterápico.
Segundo a defesa, a própria estabilidade observada atualmente estaria relacionada ao ambiente controlado da prisão domiciliar, onde Bolsonaro conta com apoio familiar e monitoramento frequente da equipe médica.
Caso Collor volta a ser citado
Os advogados também recorreram a um precedente recente para reforçar o pedido. A defesa citou o caso do ex-presidente Fernando Collor, que recebeu autorização do próprio Alexandre de Moraes para cumprir pena em prisão domiciliar em razão de questões de saúde.
A estratégia busca demonstrar que a manutenção do benefício estaria alinhada a decisões já adotadas pelo Supremo em situações consideradas semelhantes.
Investigação sobre arma não preocupa aliados
Outro ponto que circula nos bastidores é o inquérito relacionado à apreensão de uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma blitz de trânsito. Apesar da repercussão do caso, aliados acreditam que a investigação não deverá interferir na análise do pedido de prorrogação da prisão domiciliar.
Em depoimento prestado à Polícia Civil nesta terça-feira, Bolsonaro reafirmou que havia solicitado o reparo do armamento devido a uma falha mecânica, mas negou que o integrante de sua equipe de segurança tenha retirado a arma de sua residência.
A defesa sustenta que não houve irregularidade, argumentando que as medidas cautelares impostas ao ex-presidente não determinaram a retirada de armas registradas em seu nome.
Enquanto o STF analisa o pedido, a expectativa em Brasília cresce a cada dia. Mais do que uma decisão sobre o local onde Jair Bolsonaro cumprirá sua pena, o desfecho do caso poderá influenciar narrativas políticas, mobilizar apoiadores e alimentar debates que prometem marcar o ambiente eleitoral nos próximos meses.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Toni Molina/STF













